ONU alerta: mulheres ocupam apenas 22,4% dos cargos nos governos em 2026

Relatório ONU/IPU revela que mulheres ocupam só 22,4% dos cargos nos governos em 2026; queda e ameaças à participação política exigem reformas urgentes.

ONU alerta: mulheres ocupam apenas 22,4% dos cargos nos governos em 2026

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ONU alerta: mulheres ocupam apenas 22,4% dos cargos nos governos em 2026

Roma, 12 de março de 2026 — Apesar de décadas de avanços formais rumo à igualdade, as alavancas do poder político mundial continuam predominantemente masculinas. Um novo relatório conjunto da Inter-Parliamentary Union (IPU) e da ONU revela que, em 2026, as mulheres ocupam apenas 22,4% dos postos nos governos — um recuo em relação aos 23,3% registrados em 2024, interrompendo uma tendência gradual de crescimento.

Os dados, divulgados durante a 70ª sessão da CSW70 (Commission on the Status of Women) em Nova York, mostram que apenas 28 países, entre eles a Itália, são atualmente liderados por uma mulher como chefe de Estado ou de governo. Ao mesmo tempo, 101 Estados nunca tiveram uma líder mulher.

Na arena parlamentar, a representação feminina também avança a passos lentos: as mulheres detêm 27,5% dos assentos, apenas 0,3 ponto percentual a mais que em 2025 — um dos ritmos de crescimento mais baixos desde 2017. Mais preocupante, há sinais de retrocesso nas posições de comando: em janeiro de 2026 eram apenas 54 as mulheres que ocupavam o cargo de Speaker, equivalente a 19,9% do total, com uma queda de quase quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior — a primeira diminuição em mais de duas décadas.

O relatório destaca ainda que a participação política das mulheres é persistentemente barrada por formas sistemáticas de intimidação e hostilidade, especialmente no espaço público e digital. Entre as parlamentares entrevistadas, 76% relataram ter sofrido intimidações por parte do público, contra 68% dos homens. Esses episódios funcionam como um freio real: desestimulam candidaturas e afastam potenciais líderes.

Quando chegam ao Executivo, as mulheres frequentemente ficam confinadas a pastas tradicionalmente associadas às políticas sociais: lideram 90% dos ministérios de igualdade de gênero e 73% dos dedicados à família e infância. Em contrapartida, os homens permanecem majoritários em portfólios-chave como defesa, assuntos internos, justiça e economia — áreas que definem o desenho das prioridades nacionais.

"Em um momento de crescente instabilidade global e de evidente retrocesso nos direitos das mulheres, excluir as mulheres da liderança política enfraquece a capacidade das sociedades de enfrentar os desafios do nosso tempo", declarou a diretora-executiva da UN Women, Sima Bahous. A observação sublinha que a plena participação feminina torna as instituições mais eficazes e resilientes.

Os autores do estudo conclamam à remoção das barreiras estruturais — "das leis discriminatórias à violência de gênero na vida pública" — e à ampliação de instrumentos como as cotas eleitorais e reformas institucionais para acelerar a mudança. A CSW70 é apontada como uma oportunidade crítica para erguer pontes entre a agenda internacional e ações nacionais que possam reforçar os alicerces da lei e derrubar barreiras burocráticas.

Como repórter que observa a arquitetura do poder, não me contento com números: é preciso acompanhar o peso da caneta que aprova ou rejeita políticas de inclusão. A questão é prática e imediata para cidadãs e cidadãos, imigrantes e ítalo-descendentes: a configuração dos gabinetes e parlamentos afeta orçamento, escolas, segurança e direitos básicos. Nas próximas semanas, monitorarei quais governos aproveitam a atenção da CSW70 para transformar recomendações em legislação efetiva e quais continuam a prorrogar reformas que poderiam tornar a democracia mais representativa.