Nordio defende Giusi Bartolozzi após críticas à magistratura e desvia pedido de demissão
Nordio defende Giusi Bartolozzi após críticas à magistratura; Mantovano chama frase de infeliz e pede foco no mérito do referendum da reforma da justiça.
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Nordio defende Giusi Bartolozzi após críticas à magistratura e desvia pedido de demissão
Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
O ministro da Justiça, Carlo Nordio, saiu em defesa da sua chefe de gabinete, Giusi Bartolozzi, depois do comentário que provocou onda de críticas e pedido de demissão por parte da oposição. Em entrevista pública, Bartolozzi havia afirmado que a magistratura seria “plotoni di esecuzioni” — uma expressão que ela repetiu ao defender o voto favorável no referendum sobre a reforma da justiça. A frase, dita durante um confronto televisivo, inflamou o debate a 12 dias do plebiscito.
Nordio foi claro: “Não, não deve dimettersi.” O ministro afirmou que a chefe de gabinete já esclareceu o sentido de suas palavras, sublinhando que a crítica se dirigia apenas a “uma pequena parte minoritária” da magistratura que considera politizada. “Conhecendo-a também como magistrada, não representa certamente o seu pensamento”, acrescentou Nordio, numa tentativa de conter a crise política e preservar o foco sobre o conteúdo da reforma.
Do lado do governo, a mensagem busca ser uma espécie de esforço de reconstrução — como quem reforça um pilar antes que a fissura se alastre. Ainda assim, a reação no cenário parlamentar foi imediata: líderes oposicionistas pediram a saída de Bartolozzi, qualificando a expressão como inaceitável vinda de quem ocupa um cargo tão próximo ao ministro da Justiça.
O subsecretário à Presidência do Conselho, Alfredo Mantovano, adotou tom mais moderado. Para ele, a frase foi “infelice”, assim como apontado pelo próprio Nordio, mas o essencial agora é examinar o mérito da reforma, que é o objeto central do referendum. Mantovano pediu que o debate volte a se concentrar na arquitetura das propostas e não em incidentes retóricos.
A Associazione nazionale magistrati (ANM) também se manifestou: a direção decidiu, nas últimas semanas, evitar reagir a repetidos ataques de figuras políticas, mesmo de alto nível. A associação destacou que o apelo ao “abbassamento dei toni” feito pela mais alta autoridade do Estado continua mais pertinente do que nunca, e reafirmou a escolha por uma postura institucional que privilegia o diálogo sobre o confronto.
A fala de Bartolozzi ocorreu durante um programa da emissora Telecolor, no qual ela, com 56 anos e formando carreira na magistratura, disse literalmente que votar “Sim” no referendum permitiria “nos livrarmos da magistratura, que são plotões de execução”. Palavras que, independentemente da intenção, carregam um peso simbólico grande num país cujo sistema judicial é um dos alicerces da democracia.
Enquanto a contagem regressiva para o plebiscito segue, a cena política se divide entre quem pede responsabilidade e quem interpreta o episódio como parte de uma estratégia de campanha. Como repórter político, insisto na necessidade de manter o debate no campo dos fatos e do mérito das propostas: derrubar barreiras burocráticas e corrigir distorções do sistema são objetivos legítimos, mas não podem ser construídos sobre a erosão da confiança nas instituições.
Num momento em que a sociedade está decidindo rumos para a justiça, é crucial que as vozes públicas trabalhem como alicerces, não como martelos que fragilizam o que sustenta a convivência democrática. A ponte entre as propostas de reforma e a cidadania exige clareza, não simplificações incendiárias.