Petróleo recua abaixo de US$100; G7 avalia liberação de reservas estratégicas
Petróleo cai abaixo de US$100; G7 analisa liberação de reservas estratégicas enquanto gás dispara na Europa e mercados reagem.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Petróleo recua abaixo de US$100; G7 avalia liberação de reservas estratégicas
O preço do petróleo desacelerou, recuando abaixo da marca dos US$100 por barril, enquanto líderes do G7 avaliam a possibilidade de acionar reservas estratégicas para aliviar choques no mercado. O movimento reflete uma combinação de tensões geopolíticas no Médio Oriente e reações calibradas dos países consumidores, numa hora em que o motor da economia global exige respostas rápidas e precisas.
No segmento de energia, o preço do gás na Europa prosseguiu seu rali, fechando a primeira sessão da semana com alta próxima de 5%. No hub de referência TTF, os futuros do contrato de abril avançaram para 55,89 €/MWh, impulsionados pelo receio de que um conflito prolongado no Médio Oriente interrompa fornecimentos. Na semana anterior, os preços do gás subiram mais de 50%, atingindo os níveis mais altos desde o início de 2023 — uma aceleração abrupta que exige estratégias de curta e média distância.
Nos Estados Unidos, o ex-presidente Donald Trump disse em entrevista à NBC que é “muito cedo” para falar sobre o confisco do petróleo iraniano, sem, contudo, excluir essa hipótese. Especialistas apontam que a apreensão de parcelas do crude iraniano poderia tensionar ainda mais as relações com a China, destino de cerca de 80% das exportações petrolíferas do Irã.
Da parte russa, o presidente Vladimir Putin afirmou, durante reunião sobre o mercado energético global (conforme relato da agência Tass), que a Rússia está pronta a retomar fornecimentos de petróleo e gás à Europa, desde que haja sinais claros de que a União Europeia deseje cooperar sem condicionamentos políticos. "Se os compradores europeus decidirem por uma reorientação e garantirem cooperação de longo prazo, livre de considerações políticas, estamos prontos a trabalhar com eles", declarou Putin, sublinhando que Moscou busca estabilidade nas relações comerciais.
No campo político-econômico comunitário, o ministro da Economia italiano, Giancarlo Giorgetti, interveio no Eurogrupo em Bruxelas para destacar que o custo da energia está corroendo o poder de compra das famílias e afetando a competitividade das empresas. "A Itália é líder na produção manufatureira na Europa, mas não tem independência energética — uma combinação que em momentos de crise como este se torna perigosa", advertiu Giorgetti, lembrando que a instabilidade energética é risco direto à segurança econômica.
Medidas locais também surgem em reação ao choque: Budapeste anunciou um teto para preços dos combustíveis a partir desta madrugada. O primeiro-ministro Viktor Orbán fixou o preço da gasolina em 595 forints e do diesel em 615 forints, numa tentativa de amortecer o impacto sobre famílias e empresas.
Nos mercados financeiros, o spread entre BTP e Bund encerrou em leve queda, a 75,5 pontos (ante 76,1), enquanto o rendimento do título decenal italiano recuou para 3,60% (de 3,62%). A Piazza Affari reduziu perdas, mas permaneceu em território negativo, alinhada ao resto da Europa: o índice Ftse Mib caiu 0,29%, a 44.024 pontos.
Em síntese, o cenário atual pede uma calibragem fina: políticas que atuem como freios e amortecedores imediatos, sem travar a aceleração produtiva de médio prazo. Para empresas e formuladores de política, a lição é clara — a independentização energética e a resiliência das cadeias são componentes essenciais do design de políticas que mantenham o motor econômico funcionando com desempenho ótimo.