Preço do petróleo volta a superar US$100 e oscila; mercados globais sentem impacto

Petroléo oscila: Brent supera US$100 e depois recua; China restringe exportações e mercados globais reagem com cautela.

Preço do petróleo volta a superar US$100 e oscila; mercados globais sentem impacto

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Preço do petróleo volta a superar US$100 e oscila; mercados globais sentem impacto

Por Stella Ferrari — O preço do petróleo voltou a protagonizar uma sessão de alta volatilidade, ultrapassando a barreira dos US$100 por barril na madrugada e recuando em seguida, num movimento que reforça a sensibilidade dos mercados a choques de oferta e notícias geopolíticas. A dinâmica ilustra como o motor da economia reage quando a cadeia energética encontra curvas inesperadas.

Na abertura europeia, o spread BTP-Bund abriu em alta, aos 75 pontos básicos, com o rendimento do título de referência italiano de 10 anos subindo 4 pontos base para 3,68% e o Bund alemão avançando 1 ponto para 2,93%. Ontem o diferencial fechou em 73 pontos básicos — sinal de que os investidores recalibraram risco-país num contexto de maior aversão.

As bolsas do Velho Continente abriram em leve queda, em um clima de volatilidade: Londres liderou as perdas com -0,5%, seguida por Paris e Amsterdã (-0,4%). Madrid recuou 0,3% e Frankfurt 0,2%. Em Milão, o índice FTSE MIB abriu com queda de 0,37% e o FTSE All-Share cedeu 0,39% — movimentos consistentes com uma leitura cautelosa dos mercados financeiros diante da oscilação dos preços de energia.

O mercado de gás europeu também reagiu: o contrato referência em Amsterdã para entrega em abril avançou 4%, negociado a 52 euros por megawatt-hora, pressionando custos industriais e a inflação de curto prazo.

No campo dos metais preciosos, o ouro registrou leve retração; o preço spot caiu 0,18% para 5.167 dólares a onça, enquanto o futuro de abril recuou 0,11% para 5.173 dólares. O prata, ao contrário, valorizou-se cerca de 1% para 86,4 dólares.

O comportamento do petróleo foi o epicentro das atenções. Durante a madrugada o Brent para maio alcançou picos acima de US$100 — sendo reportado em US$100,50 (alta de 9,3% em torno das 03:00 GMT) — antes de desacelerar e ficar cotado em US$97,6, com alta diária de 6,12% no fechamento da manhã europeia. O WTI para abril teve variação semelhante, subindo 5,6% e sendo cotado a US$92,19.

O cenário é agravado por uma medida próxima a um aperto de freio: a China ordenou às suas refinarias a suspensão imediata das exportações de combustíveis refinados durante março, segundo a National Development and Reform Commission. A diretiva abrange gasolina, diesel e combustível para aviação e visa preservar o abastecimento doméstico diante do risco de interrupções ligado ao conflito no Médio Oriente. Essa restrição reduz oferta disponível internacionalmente, adicionando pressão ao preço do petróleo.

Fontes e traders indicaram que companhias chinesas planejavam elevar exportações em fevereiro e março para aproveitar margens mais altas durante a calmaria sazonal. Estimativas anteriores apontavam volumes de 2,2 a 2,3 milhões de toneladas em março, acima do previsto em fevereiro em 300–400 mil toneladas — fluxos agora revistos à luz da diretiva.

Enquanto isso, a bolsa de Tóquio fechou em queda: o Nikkei recuou 1,04% para 54.452,96 pontos, refletindo aversão global ao risco. No agregado, os mercados testam a calibragem de políticas e a resistência dos investidores à elevação dos preços de energia — é uma corrida onde a engenharia das políticas públicas e a resposta das reservas estratégicas atuam como sistemas de suspensão e freios, tentando estabilizar a trajetória.

Para investidores e gestores, a mensagem é clara: com a combinação de tensões geopolíticas, movimento de estoques estratégicos e decisões regulatórias como a chinesa, a aceleração de tendências no setor energético exige maior disciplina na gestão de risco e visão de longo prazo.