Di Caterina (Alis): abrir ao debate sobre o ETS é positivo, mas é urgente a suspensão para o transporte marítimo
Di Caterina (Alis) elogia abertura de von der Leyen ao ETS, mas pede suspensão temporária para o transporte marítimo frente à instabilidade global.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Di Caterina (Alis): abrir ao debate sobre o ETS é positivo, mas é urgente a suspensão para o transporte marítimo
Por Stella Ferrari — Em Verona, durante o Letexpo, Marcello Di Caterina, diretor-geral da Alis, saudou a declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como um primeiro sinal de abertura para uma possível revisão do ETS na Europa. Ainda assim, Di Caterina deixou claro que a realidade operacional do setor impõe um passo intermediário: a suspensão temporária do mecanismo para o transporte marítimo antes de qualquer alteração estrutural.
“A abertura da Comissão é bem-vinda”, afirmou Di Caterina, “mas o transporte marítimo atravessa uma fase de elevada instabilidade global: tensões no Golfo Pérsico, aumento do preço do Brent e rotas que, por segurança, têm de contornar o Chifre da África”. Em termos práticos, explicou o dirigente, isso reduz margens operacionais e eleva os custos de forma que a introdução ou manutenção de encargos adicionais se traduziria em pressão imediata sobre empresas já fragilizadas.
Como economista e estrategista voltada para alto desempenho, vejo essa recomendação como uma medida de calibragem fina: antes de mexer no painel de controle — alterar o desenho do ETS — é prudente colocar um freio temporário para evitar uma desaceleração desordenada do setor. O transporte marítimo é um dos eixos do motor da economia global; sobrecarregá-lo em momentos de tensão equivale a reduzir a potência quando é mais necessária a aceleração da logística.
Di Caterina enfatizou que a suspensão serviria para “permitir que as empresas enfrentem a conjuntura atual sem pressões adicionais sobre custos”, mantendo a coerência com os objetivos climáticos de longo prazo, mas reconhecendo a necessidade de uma transição ordenada. A proposta, portanto, não é um veto ao objetivo ambiental: é um pedido por transição faseada, com diagnóstico e design de políticas que não comprometam a viabilidade operacional.
Do ponto de vista macro, a recomendação da Alis busca equilibrar duas necessidades críticas: a urgência das metas climáticas e a estabilidade do abastecimento e comércio internacional. É uma visão de engenharia econômica: antes de reprogramar a central eletrônica, é preciso garantir que os componentes essenciais suportem a nova configuração. Essa abordagem evita choques que poderiam replicar no setor o mesmo efeito de freios fiscais mal calibrados.
Em resumo, a declaração de Von der Leyen abre um canal construtivo, mas, segundo Marcello Di Caterina, é imprescindível que a Comissão considere uma suspensão temporária do ETS para o segmento marítimo, até que a revisão regulamentar esteja concluída e as empresas consigam se adaptar sem comprometer operações e cadeias logísticas.
Essa posição, assertiva e técnica, reflete a necessidade de políticas que combinem ambição ambiental com realismo econômico — a calibragem que garante que a transição seja sustentável, sem travar o motor que move o comércio global.