Paris FW 2026: De Hermès a Dior, a construção do luxo em foco na passarela
Paris FW 2026: Hermès, Dior e outras maisons reinvestem na construção da peça e nos materiais no prêt-à-porter Outono-Inverno 2026-27.
RESUMO ✦
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Paris FW 2026: De Hermès a Dior, a construção do luxo em foco na passarela
Paris Fashion Week entra em aceleração plena: as luzes se atenuam e, por alguns segundos, a passarela respira silêncio antes que o compasso seco dos saltos marque o ritmo. Entre 2 e 10 de março, a semana dedicada ao prêt-à-porter feminino Outono-Inverno 2026-2027 consolida uma narrativa clara: a atenção retorna à construção da peça e à qualidade dos materiais.
Na cartografia das marcas observadas, Hermès sob a direção criativa de Nadège Vanhee-Cybulski desenha uma coleção centrada na pele. Trenchs longos, jaquetas aviator, shorts de ciclista em carneiro lustroso e calças jodhpur compõem um guarda-roupa pensado para aderir ao corpo com precisão técnica. A cenografia — uma passarela coberta de musgo sob uma luz crepuscular — funciona como pano de fundo para uma paleta profunda: azul-noturno, verde escuro e bordeaux, com pontuais acidentes laranja e amarelo. É design de produto com meticulosa engenharia de superfície, como um motor afinado que privilegia torque e suavidade.
No pódio da Dior, Jonathan Anderson explora drapeados e ruches em silhuetas suaves. Jaquetas com volantes, saias leves e vestidos construídos em volumes arredondados dialogam com materiais diversos — tweed, denim tratado, organzas e sedas luminosas — e com a releitura da icônica Bar jacket, que permanece um dos sinais mais reconhecíveis da maison. A coleção privilegia movimento e fluidez, calibrada como uma suspensão que alia conforto e postura.
No terreno da Schiaparelli, Daniel Roseberry prossegue o trabalho sobre elementos surrealistas: joias escultóricas e bordados trompe-l'oeil transformam os vestidos em objetos visuais. As silhuetas se mantêm essenciais, muitas vezes em preto ou creme, com acessórios que desafiam a percepção e elevam a peça a ícone.
Chloé, por Chemena Kamali, afina um guarda-roupa fluido e boêmio: capas, ponchos e vestidos com peitorais bordados em tecidos leves que acompanham o movimento do corpo. Já Rabanne (Julien Dossena) e Dries Van Noten reforçam duas vertentes complementares — a primeira, superfícies brilhantes e texturas metálicas; a segunda, riqueza de superfície por meio de veludos, bordados e estampas.
A atenção também volta-se para Alaïa, sob a direção de Pieter Mulier. Sua coleção ganha mais visibilidade após a confirmação de que Mulier assumirá a direção criativa da Versace em julho de 2026, numa fase em que a Medusa já integra o Prada Group desde 2025. As peças de Alaïa — linhas corporais limpas e tecidos elásticos — são observadas como uma possível antecipação da linguagem que poderá irrigar a casa italiana.
Entre os episódios curiosos da semana, destaca-se o desfile de Max Alexander, jovem designer norte-americano de nove anos, que trouxe para Paris sua marca Couture to the Max com uma coleção de peças autorais e imagéticas, prova de que a máquina das tendências também nasce em acelerações inesperadas.
Em suma, a Paris Fashion Week 2026 reafirma uma tendência macro: a moda retorna ao oficio e à materialidade, privilegiando a construção e o toque. É uma calibragem estética que favorece durabilidade e presença — o verdadeiro motor do luxo contemporâneo.