Orsini: UE deve rever o ETS e governo deve publicar o decreto bollette para conter a energia cara
Orsini (Confindustria) pede revisão do ETS e publicação imediata do decreto bollette para frear a especulação e proteger indústria e famílias.
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Orsini: UE deve rever o ETS e governo deve publicar o decreto bollette para conter a energia cara
Stella Ferrari — 06 de março de 2026
O debate sobre o custo da energia voltou a assumir o centro do palco econômico na Europa e na Itália. Emanuele Orsini, presidente da Confindustria, fez um apelo claro e urgente às instituições europeias e ao governo italiano: é preciso agir com rapidez para conter a especulação sobre os preços energéticos e revisar o funcionamento do ETS, o mercado europeu de emissões de CO₂.
Na avaliação de Orsini, a alta persistente da energia está corroendo a competitividade do parque industrial europeu. “Cada conflito é uma perda para a economia”, afirmou, destacando que tensões geopolíticas amplificam um quadro que já é frágil. A evidência de competitividade assimétrica no mercado interno é nítida: países como França e Espanha operam com custos energéticos mais baixos, criando um desnível que penaliza indústrias em outras praças europeias.
O ponto mais sensível, segundo a liderança da Confindustria, é o ETS. O sistema, que atribui um preço às emissões, teria assumido «dimensões especulativas», elevando o custo do carbono para além do efeito ambiental desejado e transformando-se num fator de pressão sobre margens industriais. É necessário, na visão de Orsini, reavaliar o desenho do mecanismo para que ele funcione como instrumento de transição — e não como um obstáculo à produção.
Ao mesmo tempo, o presidente pediu ao governo italiano a imediata concretização das medidas anunciadas no decreto bollette. Enquanto anúncios e intenções foram divulgados, a economia real — empresas e famílias — demanda instrumentos efetivos de mitigação dos aumentos tarifários. A publicação urgente do decreto é, para Confindustria, uma questão de sobrevivência operacional para muitas empresas e de alívio para lares já penalizados pela inflação energética.
Na dimensão europeia, Orsini instou Bruxelas a considerar com pragmatismo a possibilidade de flexibilizar temporariamente os limites do Patto di stabilità (Pacto de Estabilidade), permitindo que políticas fiscais ativas atuem como amortecedores enquanto se gerencia a crise de custos. Em termos de metáfora de engenharia econômica: se o motor da economia está em sobreaquecimento, é preciso calibrar os freios fiscais sem travar a máquina produtiva.
Outro risco salientado foi o deslocamento de investimentos ao exterior, especialmente para os Estados Unidos, onde políticas industriais agressivas e custos energéticos relativamente mais baixos estão atraindo capacidades produtivas e capitais. A reação europeia, segundo Orsini, deve combinar recalibração regulatória com incentivos estratégicos para preservar o tecido industrial do continente.
Confindustria não neglecta o comércio internacional: a associação apoia a ratificação do acordo Mercosur, mas defende simultaneamente o reforço de parcerias com Índia, Japão e Canadá, buscando diversificar rotas comerciais e mitigar vulnerabilidades. Trata-se de promover uma estratégia que permita à Europa recuperar ritmo e manter-se competitiva num cenário global em rápida aceleração.
Como economista e estrategista, observo que estamos diante de um momento em que a calibragem de políticas — monetárias, fiscais e energéticas — é decisiva. A conjunção de choques externos e um desenho regulatório que hoje pressiona custos exige respostas técnicas e rápidas: publicar o decreto bollette, revisar o ETS para reduzir sua dimensão especulativa, e ponderar a flexibilização temporária do Patto di stabilità. Só assim a economia europeia poderá recuperar a trajetória de alta performance sem perder competitividade.
Em linguagem de engenharia fina: não basta afinar a ignição; é necessário redesenhar o sistema de alimentação para que o motor da indústria volte a render em plena potência.