Itir Summit debate futuro da saúde, energia e inteligência artificial com mais de 700 participantes

Itir Summit reúne 700+ participantes para debater saúde, energia e inteligência artificial e revela adoção massiva de IA, mas lacunas na governança.

Itir Summit debate futuro da saúde, energia e inteligência artificial com mais de 700 participantes

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Itir Summit debate futuro da saúde, energia e inteligência artificial com mais de 700 participantes

Concluiu-se hoje a segunda edição do Itir Summit, o encontro anual do Centro de Pesquisa Itir (Institute for transformative innovation research) da Universidade de Pavia, sob o título Bagliori rossi. O evento reuniu mais de 700 participantes — entre cientistas, pesquisadores internacionais e líderes corporativos — para debater a responsabilidade das escolhas em áreas cruciais como saúde, energia, longevidade, inovação e inteligência artificial.

Os três “bagliori” — saúde, energia e paixão — foram estruturados em três atos, caminhos distintos que, no entanto, convergiram para uma pergunta central: que forma queremos dar ao nosso futuro? A abertura dos trabalhos foi conduzida pelo professor Stefano Denicolai, presidente do Centro de Pesquisa Itir, seguida pelas saudações institucionais de Michele Lissia (prefeito de Pavia), Alessandro Reali (reitor da Universidade de Pavia) e Tommaso Rossini (presidente da Assolombarda Pavia).

Denicolai enfatizou que a inteligência artificial está no centro das transformações que atravessam a pesquisa, as empresas e a sociedade, impondo novas exigências de governança e liderança. “O Itir Summit nasce para traduzir o diálogo entre academia e sociedade civil em ações concretas, capturando as oportunidades do mudança enquanto mitiga riscos”, afirmou.

Durante o encontro foi apresentada a pesquisa Oltre la linea rossa? Governo e diffusione dell’intelligenza artificiale, elaborada pelo próprio Itir. O estudo analisa a adoção de IA em empresas italianas de médio e grande porte, diferenciando setores de serviços e manufatura, bem como ramos de baixa e alta intensidade de inovação. O diagnóstico é nítido: a utilização individual corre muito mais rápido do que a estratégia organizacional. Surge, assim, um vazio de governança — a chamada “linha vermelha” — que separa ganhos de eficiência de riscos de perda de controle sobre processos críticos.

Os números retratam essa aceleração: enquanto a Eurostat registrava 7% de adoção de IA em 2020, a pesquisa do Itir aponta que hoje 59,8% dos trabalhadores utilizam habitualmente ferramentas de inteligência artificial. Entre os decisores, o uso é ainda mais expressivo: 91,2% dos top managers e 89,7% dos chamados experts declaram empregar essas tecnologias, sinalizando uma clara compreensão do potencial transformador da IA. Entre os trabalhadores mais jovens, o uso chega a 71,9%, e nas empresas de alta performance a 67,7%.

No entanto, esse avanço muitas vezes se limita a experimentos e pilotos: apenas 13,3% das empresas relatam impacto efetivo sobre sua vantagem competitiva. O levantamento também destaca o fenômeno do shadow IT: 6,5% dos empregados bancam assinaturas de ferramentas de IA por conta própria — uma prática mais comum entre perfis sêniores (>45 anos) do que entre os mais jovens (7,9% contra 5,5%) — geralmente motivada pela busca de otimização de desempenho no trabalho.

Como estrategista econômica, observo que estamos diante de uma aceleração de tendências que funciona como um motor da economia: há empuxo tecnológico, mas a calibragem de governança e a arquitetura organizacional ainda não acompanham a velocidade. Sem freios técnicos e regulatórios bem desenhados, o risco é ver ganhos de produtividade evaporarem em problemas de controle e responsabilidade.

O Itir Summit consolida-se, portanto, como uma plataforma onde a engenharia de políticas públicas e privadas pode ser afinada — um espaço para projetar o design de decisões capaz de transformar experimentos em vantagem sustentável. A próxima etapa é traduzir diagnósticos em planos de governança que preservem a inovação sem sacrificar a segurança e a integridade dos processos.