As mostras do fim de semana: de Rothko a Giotto, com a luz de Pellizza e Ballero
Roteiro sensorial de exposições: Rothko em Florença, Pellizza e Ballero em Nuoro, Giotto, San Francesco e o Simbolismo italiano. Dicas e convites culturais.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
As mostras do fim de semana: de Rothko a Giotto, com a luz de Pellizza e Ballero
Caros leitores, aqui é Erica Santini — convido você a um brindisi cultural antes do fim de semana: um roteiro sensorial pelas exposições que transformam cidades em verdadeiros banquetes para os olhos e o coração. Nesta semana, a agenda reúne nomes que vão do abstrato íntimo de Rothko ao respiro medieval de Giotto, passando pelo brilho do divisionismo com Pellizza e Ballero e por uma reflexão sobre o Simbolismo na Itália. Andiamo!
Rothko a Firenze — Uma parada obrigatória: a grande homenagem a Mark Rothko estreia em 14 de março no Palazzo Strozzi e fica em cartaz até 23 de agosto. Curada por Christopher Rothko e Elena Geuna, a mostra reúne mais de 70 obras que percorrem a longa trajetória do artista e convidam o espectador a “navegar” por campos de cor onde a tela deixa de ser plano e se transforma em espaço de contemplação. É como entrar em uma sala iluminada pela própria cor: você sente a respiração da obra, a vibração silenciosa que mexe com o olhar e com as emoções. O projeto ganha ainda versões satélite pela cidade — no Museo di San Marco, obras dialogam com os afrescos do Beato Angelico, e no Vestibolo da Biblioteca Medicea Laurenziana, projetado por Michelangelo, o trabalho de Rothko encontra uma pulsação arquitetônica única.
Pellizza e Ballero. La divina luce — No MAN de Nuoro, a mostra que investiga, pela primeira vez de forma aprofundada, o legado ideal de Giuseppe Pellizza da Volpedo (1868-1907) em relação a Antonio Ballero (1864-1932). Uma conversa entre gerações onde o jogo de luz e matéria do divisionismo atravessa paisagens e compromissos sociais, trazendo à tona como a técnica pode ser voz e memória de um tempo. Para quem ama perceber a textura da tinta e o perfume da história, é uma visita que ilumina.
Ao mesmo tempo, as programações pelo país reservam eventos que recuperam a força narrativa de Giotto e as tradições franciscanas de San Francesco, além de mostras que mapeiam o Simbolismo na Itália — um convite ao Dolce Far Niente contemplativo diante de pinturas e espaços onde o tempo parece ganhar outra densidade.
Se gosta de caminhar pelas cidades como quem percorre um roteiro olfativo — sentindo a luz dourada nas pedras, o eco dos passos nas galerias, o sussurro das pinturas — essas exposições prometem pequenas epifanias. Leve um tempo para perceber: a cor que pulsa em Rothko, a trama luminosa de Pellizza e Ballero, os gestos narrativos de Giotto e a espiritualidade de São Francisco. É um passeio que alimenta a alma e afina o olhar.
Uma última dica de amiga: planeje a visita nos horários menos concorridos, saboreie um café antes como quem se prepara para um rito, e permita-se ficar parado diante de uma obra alguns minutos a mais — é aí que as camadas aparecem. Ciao e boa visita — que a arte te leve a descobrir um novo recanto interior.