Conflito no Médio Oriente: turismo perde 515 milhões de euros por dia e voos despencam
Conflito no Médio Oriente provoca perda de €515 milhões por dia ao turismo; voos caem e chegadas podem diminuir até 27% em 2026.
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Conflito no Médio Oriente: turismo perde 515 milhões de euros por dia e voos despencam
Ciao, viajante. Sinto no ar aquele perfume agridoce das viagens interrompidas: enquanto o sol ainda banha os arranha-céus de Dubai e as praças silenciam em Abu Dhabi ao entardecer, o setor de viagens do Médio Oriente sente na pele uma tempestade que custa — acredite — 515 milhões de euros por dia.
Esse número tem origem nas previsões pré-conflito para 2026 do World Travel & Tourism Council (WTTC), que estimavam 178 mil milhões de euros em despesas de visitantes internacionais na região para este ano. Hoje, com rotas fechadas, cancelamentos em massa e medo nos conselhos de viagem, parte desse sonho da recuperação se desfaz como espuma de mar.
Os grandes hubs — Abu Dhabi, Dubai, Doha e Bahrain — costumavam movimentar cerca de 526 mil passageiros por dia. Muitos apenas em trânsito: afinal, o Médio Oriente concentra cerca de 14% do tráfego internacional de ligação, sendo ponte vital entre Europa, Ásia e África, e representa também cerca de 5% das chegadas internacionais globais. Mas, com espaços aéreos fechados, muitos voos ficaram no chão e a movimentação caiu drasticamente.
Um olhar das pistas revela a magnitude: a análise da Flightradar24 mostra que, a 24 de fevereiro, a Emirates, a Etihad Airways e a Qatar Airways operaram 527, 325 e 563 voos, respetivamente. Em 10 de março, esses números tombaram para apenas 309, 56 e 66. É como se a música das pistas tivesse sido interrompida no meio de um solo.
A incerteza ameaça travar a recuperação vigorosa que a região vinha vivendo — uma recuperação construída a partir de investimentos ousados, novos destinos e ambições como as da Arábia Saudita, que já representa cerca de 10% da fatia do turismo na região e segue crescendo desde que se abriu ao turismo de lazer, em 2019.
“Temos assistido a um crescimento constante do número de visitantes de ano para ano, sobretudo com todos os novos investimentos em turismo que estão a surgir em toda a região”, conta Ibrahim Khaled, diretor de marketing da Middle East Travel Alliance. Mas ele lamenta: “Nos destinos que os governos dos EUA e do Reino Unido colocaram em listas de não viajar ou não voar, infelizmente temos visto imensos cancelamentos. Os voos estão a ser perturbados e as viagens para essas zonas específicas estão praticamente todas suspensas.”
As projeções reforçam o cenário sombrio: a Tourism Economics estima que as chegadas ao Médio Oriente em 2026 podem cair entre 11% e 27% face à previsão anterior de crescimento de 13%. Isso representaria entre 23 e 38 milhões de visitantes a menos e uma perda estimada entre 34 e 56 mil milhões de dólares (aproximadamente 29 a 48 mil milhões de euros) em despesas de visitante.
Andiamo com cuidado: não sabemos ainda se o impacto será apenas um sobressalto temporário ou o início de um período mais longo de retração. Enquanto isso, moradores, operadores e pequenos negócios que vinham saboreando a brisa da recuperação encaram agora dias de preocupação. Para nós que amamos viajar — e saborear a história nos cantinhos do mundo —, resta observar com ternura e aguardar que a luz dourada volte a aquecer as pistas e as praças.
Se puder, mantenha a esperança e a curiosidade: o Médio Oriente tem feridas agora, mas guarda, como sempre, muitos segredos e belezas para quando o tempo cicatrizar. Dolce far niente, até que possamos novamente brindar sob as luzes do Golfo.