Giuli: a arte só é livre quando se opõe à autocrazia, diz Ministro na apresentação do pavilhão italiano

Giuli afirma que a arte só é livre quando é dissidente frente à autocrazia; discurso durante apresentação do pavilhão italiano na Biennale.

Giuli: a arte só é livre quando se opõe à autocrazia, diz Ministro na apresentação do pavilhão italiano

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Giuli: a arte só é livre quando se opõe à autocrazia, diz Ministro na apresentação do pavilhão italiano

ROMA, 10 de março de 2026 — Com a voz calma de quem observa as superfícies do tempo e o olhar de quem ouve as cidades, o Ministro da Cultura Alessandro Giuli apresentou o pavilhão italiano na Biennale afirmando, com firmeza humanista, uma verdade que ressoa além das paredes de pedra: a arte não é livre quando é escolhida por uma autocrazia.

«Come Ministro della Cultura, ritengo che l'arte di un'autocrazia sia libera soltanto nella misura in cui sia dissidente rispetto a quella autocrazia» — disse Giuli, lembrando que a verdadeira liberdade artística nasce da capacidade de questionar e inquietar o poder. Dessa forma, ele enfatizou que quando a arte é selecionada e instrumentalizada pelos aparelhos do Estado autocrático, perde a liberdade inerente à expressão criativa.

Na fala, o Ministro evocou a imagem concreta do sofrimento contemporâneo: a Ucrânia, cujo povo vê diariamente sua história e seus lares maculados pelas bombas lançadas pela Rússia, país que, há mais de quatro anos, invade seus territórios. «A liberdade da arte é medida também pela liberdade do governo que a coloca em condição de se expressar», afirmou Giuli, conectando a cena cultural com a responsabilidade política e moral do Estado.

Como curadora e narradora das paisagens italianas, digo-lhes: há um aroma — quase táctil — na palavra dissidência. É como o perfume de vinhedos ao entardecer ou a textura do tempo nas paredes de uma trattoria antiga; é a resistência que se oferece em formas e cores. Quando governos livres permitem que artistas desafiem narrativas hegemônicas, nasce o verdadeiro diálogo entre arte e sociedade. Quando não, resta a estética sem alma, a imagem domesticada.

Giuli trouxe à cena um convite ao debate: a cultura não é apenas espetáculo, é testemunho. E o pavilhão italiano na Biennale torna-se palco dessa reflexão, onde as obras — sejam elas discretas ou estridentes — apontam para as contradições do tempo. Andiamo: é preciso escutar, observar e sentir. A arte que se dobra a uma escolha autoritária perde a capacidade de ser espelho e se transforma em vitrine de consenso.

O pronunciamento, repercutido pela agência ANSA, reafirma a conexão entre política cultural e solidariedade internacional. Em tempos nos quais o ruído das armas se sobrepõe ao sussurro dos museus, a posição do Ministro é um apelo à defesa da autonomia criativa: a liberdade artística é um bem coletivo que demanda, também, coragem institucional.

Para nós, amantes do Bel Paese e da sua hospitalidade sofisticada, essa declaração é um lembrete sensorial — como um aperitivo compartilhado ao entardecer: a arte deve permanecer livre para provocar, para curar e para manter acesa a chama da verdade.

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