Estudo diz que a 'stanchezza primaverile' pode ser mais cultural que biológica

Estudo suíço indica que a 'stanchezza primaverile' pode ser mais cultural que biológica; luz natural, rotina e sono são chaves para o bem-estar.

Estudo diz que a 'stanchezza primaverile' pode ser mais cultural que biológica

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Estudo diz que a 'stanchezza primaverile' pode ser mais cultural que biológica

Por Alessandro Vittorio Romano — Ao sabor da respiração da cidade e das mudanças de luz, circula uma ideia íntima: a tal 'stanchezza primaverile', ou o que muitos chamam, em português, de cansaço primaveril. Um estudo liderado por Christine Blume, do Center for Chronobiology da Universidade de Basel, com a colaboração de Albrecht Vorster, da Universidade de Berna, e publicado no Journal of Sleep Research, sugere que esse fenômeno pode ter raízes mais culturais do que biológicas.

Os pesquisadores acompanharam 418 participantes por um ano, a partir de abril de 2024, aplicando questionários online a cada seis semanas. Curiosamente, no início da pesquisa cerca de metade das pessoas afirmou sentir esse cansaço primaveril. Ainda assim, quando os dados foram analisados ao longo dos meses, não emergiram diferenças estatisticamente significativas entre estações ou períodos do ano.

“Na primavera, os dias alongam-se com rapidez. Se a 'stanchezza primaverile' fosse um fenômeno biológico claro, isso deveria aparecer justamente durante essa transição”, observa Blume. Porém, a velocidade da mudança na duração do dia também não mostrou relação com os níveis de fadiga relatados pelos participantes.

Os autores interpretam o contraste entre a percepção comum e os resultados empíricos como sinal de influência cultural. A existência de um termo difundido para o fenômeno pode levar muitas pessoas a ficarem mais atentas a sinais de cansaço nessa época, rotulando sensações comuns como se fossem parte de um ciclo sazonal.

Outro aspecto importante é a expectativa social: a primavera traz promessa de dias mais longos e de mais atividade — e quando a energia pessoal não corresponde a essa expectativa, nasce a sensação de esgotamento. Em linguagem humana, é como se o tempo interno do corpo não acompanhasse o despertar da paisagem, e então buscamos um nome socialmente aceitável para esse descompasso.

Os cientistas, porém, não descartam o efeito da luz natural sobre o ritmo biológico. Estudos de cronobiologia indicam que no inverno muitas pessoas tendem a dormir um pouco mais e sentir-se mais cansadas, possivelmente porque a “noite biológica” se prolonga. Com o alongamento dos dias, teoricamente, a energia deveria aumentar.

O levantamento mostrou também que no verão as pessoas costumam dormir menos — pela vida ao ar livre e socialização noturna —, mas isso nem sempre se traduz em maior fadiga percebida. Para quem sente-se cansado na primavera, Blume sugere medidas práticas: expor-se à luz natural, manter atividade física regular e garantir um sono adequado. Em resumo, mais do que um fenômeno misterioso, o chamado cansaço primaveril pode ser sobretudo uma narrativa coletiva sobre como vivemos as estações.