Quase 18 mil agressões em 2025: aumenta o número de vítimas entre profissionais de saúde
Quase 18 mil agressões a profissionais de saúde em 2025; vítimas sobem para 23.367, aponta relatório do Observatório Nacional.
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Quase 18 mil agressões em 2025: aumenta o número de vítimas entre profissionais de saúde
Por Alessandro Vittorio Romano - ROMA, 12 de março de 2026
O relatório anual do Observatório Nacional sobre a segurança dos profissionais de saúde, publicado no site do Ministério da Saúde por ocasião do Dia de prevenção contra a violência aos operadores sanitários, revela um quadro que mistura estabilidade e preocupação: em 2025 foram registradas quase 18 mil agressões a operadores sanitários e sociossanitários, envolvendo 23.367 profissionais, já que um único episódio pode atingir várias pessoas.
Os números mostram uma leve queda no total de incidentes em relação a 2024 (18.392), mas um aumento no total de profissionais agredidos — de cerca de 22.000 em 2024 para mais de 23.000 em 2025. É como se a paisagem do cuidado respirasse de forma irregular: os episódios não aumentaram sensivelmente, mas atingiram mais profundidade, ampliando o alcance da dor entre quem cuida.
Quem comete as agressões, segundo o relatório, são em primeiro lugar os pacientes, seguidos por familiares e cuidadores. As formas de ataque permanecem dominadas pela agressão verbal (69%), enquanto as agressões físicas representam 25% e os danos à propriedade, 6%.
O recorte por gênero destaca que o sexo feminino é o mais atingido, superando 60% na maioria das regiões — um sinal claro de que as mulheres no setor da saúde enfrentam, muitas vezes, um duplo desgaste: o da rotina de trabalho e o da exposição à hostilidade. Em termos de categorias profissionais, o pessoal de enfermagem concentra a maior parte dos episódios (55%), seguido por médicos (16%) e por operadores socioassistenciais (OSS) com 11%. Outros profissionais somam 12% das denúncias.
Estes números convidam a uma escuta atenta: a violência contra profissionais de saúde é uma ferida que corrói a confiança entre quem cuida e quem é cuidado, afetando a qualidade do serviço e a saúde mental de equipes já marcadas por jornadas longas e emoções intensas. A cena lembra um jardim onde algumas plantas, em vez de florescer, são continuamente podadas pela ansiedade e pelo confronto — é preciso reencontrar práticas de prevenção que reguem a segurança do ambiente de trabalho.
O relatório do Observatório, disponível no portal do Ministério, reforça a necessidade de políticas públicas e protocolos institucionais mais incisivos para proteção, formação e suporte das equipes. Prevenção, sinalização, mediação e penas eficazes compõem a caixa de ferramentas que autoridades e instituições devem afinar, para devolver ao serviço de saúde a tranquilidade necessária ao cuidado.
À medida que atravessamos esta estação de mudanças sociais, cabe à comunidade — gestores, profissionais, pacientes e famílias — cultivar uma nova relação com o cuidado: uma colheita de respeito que proteja aqueles cuja profissão essencial é sustentar a nossa saúde.