Referendo da Justiça: oposição acusa Meloni de temer vitória do No e alerta para controle político sobre a magistratura
Oposição acusa Meloni de entrar na campanha do referendo por medo do 'No' e alerta risco de controle político sobre a magistratura.
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Referendo da Justiça: oposição acusa Meloni de temer vitória do No e alerta para controle político sobre a magistratura
Roma — Em reação ao vídeo publicado hoje nas redes pela presidente do Conselho, a oposição parlamentar reagiu com acusações duras: segundo os representantes do Movimento 5 Stelle nas comissões de Justiça de Câmara e Senado, Giorgia Meloni teria entrado em pânico diante de sondagens que mostram crescimento do voto No e estaria usando desinformação e episódios de cronaca estranhos ao conteúdo da reforma para impulsionar a campanha do Si.
O pronunciamento conjunto, assinado por Stefania Ascari, Anna Bilotti, Federico Cafiero De Raho, Valentina D'Orso, Carla Giuliano, Ada Lopreiato e Roberto Scarpinato, afirma que a narrativa construída pela premiê distorce objetivos reais do texto constitucional em discussão. "Evidentemente nel panico a causa dei sondaggi che danno il No in crescita quotidiana, la presidente del Consiglio Meloni è entrata a piedi uniti nella campagna referendaria a suon di bugie e strumentalizzazioni di casi di cronaca che nulla hanno a che fare con la riforma costituzionale", dizem os parlamentares.
Os deputados do M5S lembram que, em outubro, a primeira-ministra definiu a proposta como uma medida para a eficiência da justiça — tese que, segundo eles, foi desmentida inclusive por membros do próprio Governo, a começar pelo ministro Nordio. "Quanto mais Meloni mente e difunde informações false, mais evidente fica che le vere finalità della riforma sono molto diverse da quelle enunciate", apontam.
O cerne da crítica é político-institucional: a oposição acusa a reforma de buscar deslocar poder sobre a magistratura para a esfera partidária. Segundo o texto do comunicado, com a proposta Meloni–Nordio os membros laicos, isto é, políticos, nos órgãos de autogoverno da magistratura poderão ter influência decisiva em nomeações, transferências, avaliações e sanções. "In pratica potranno ricattare o intimidire le toghe", afirmam.
Os opositores falam ainda sobre a falsa comparação feita pela premiê com outros países europeus, onde — sempre segundo a oposição — a separação de carreiras e a relação entre juízes e procuradores seria tratada de modo diferente. Eles destacam que a reforma reuniria novamente juízes e procuradores na instância disciplinar superior, criando possíveis conflitos de interesse e abrindo espaço para pressões políticas sobre decisões internas da magistratura.
Intervenção similar veio do Partido Democrático: Alfredo D'Attorre, membro da direção nacional, criticou Meloni por, em sua avaliação, contrariar o compromisso de não envolver o Governo na campanha constitucional. "A presidente do Conselho, contraddicendo clamorosamente l’impegno a non coinvolgere il Governo nel referendum costituzionale, decide di buttarsi a capofitto nella campagna referendaria", disse D'Attorre, sublinhando que a escolha de dedicar as próximas semanas a fazer campanha pelo Si soa incongruente diante de uma conjuntura internacional e econômica tensa.
Como repórter focado na conexão entre decisões de Roma e a vida dos cidadãos, acompanho a cena política com a responsabilidade de quem traduz os alicerces da lei para quem precisa entender direitos e deveres. Nesta etapa final de campanha, a arquitetura do debate público parece mais voltada a slogans e performatividade do que à construção de garantias duradouras. A sociedade italiana precisa de clareza: se a reforma pretendida serve para acelerar processos ou para alterar o equilíbrio institucional e permitir maior controle político sobre a magistratura.
Nos próximos dias, a ponte entre o edifício das instituições e a cidadania terá de resistir às pressões da hora: é tarefa dos eleitores avaliar se estão diante de uma reforma que reforça os alicerces da justiça ou de uma mudança que desloca o peso da caneta para o campo da política.