Posidonia: a ‘‘fábrica de saúde’’ do mar perde metade das praderias por causa das âncoras

Posidonia oceanica perde metade das pradarias; âncoras e aquecimento marinho estão entre as principais causas. Ações e propostas para recuperar as zonas costeiras.

Posidonia: a ‘‘fábrica de saúde’’ do mar perde metade das praderias por causa das âncoras

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Posidonia: a ‘‘fábrica de saúde’’ do mar perde metade das praderias por causa das âncoras

Posidonia: uma fábrica de vida ameaçada

Não se trata apenas de uma erva submersa nem de um aglomerado de algas. A Posidonia oceanica é um ecossistema dentro do ecossistema: uma verdadeira fábrica de saúde para o Mediterrâneo, que alimenta, protege e acolhe uma enorme diversidade de espécies marinhas. Mas, nas últimas décadas, essa teia vital tem enfraquecido — e as causas são, em grande parte, ancoradas nas atividades humanas.

O impacto das âncoras

O dano mais divulgado é o provocado pelas âncoras de embarcações. Ao contrário do que muitos imaginam, as correntes de âncora não ficam rigidamente fixas num único ponto: o balanço da embarcação, provocado pelo vento e pelas ondas, transmite movimento ao cabo e arrasta o arpão sobre o leito marinho. Esse efeito de traçado chega a arar alguns metros de fundo — e, multiplicado por cada lançamento de âncora, acaba por arrancar trechos inteiros das pradarias de Posidonia.

Dados alarmantes e pedidos de ação

Relatórios recentes do WWF, compilados e analisados pela Espresso Italia, indicam perdas que chegam a metade das praderias em algumas áreas costeiras. Só em 2024, foram estimados cerca de 50 mil hectares perdidos no Mediterrâneo. É um sinal de alerta que ilumina, de forma sombria, o custo das práticas recreativas e de ancoragem desreguladas.

Zonas protegidas e lacunas na proteção

Onde existem áreas marinhas protegidas, as regras costumam proibir o largar de âncoras para salvaguardar a Posidonia — e, quando permitido nas zonas de manejo, exige-se o uso de boias de acostagem fixas. Contudo, essas zonas representam apenas uma fração das costas italianas e mediterrâneas, deixando vastos trechos vulneráveis ao arrasto e à degradação.

Além das âncoras: aquecimento e outras ameaças

A perda das pradarias não é causada somente por âncoras. O aquecimento das águas, poluição, construção costeira e práticas de pesca intensiva colaboram para reduzir a resiliência desses habitats. No Adriático, por exemplo, espécies como a Cymodocea nodosa também registram quedas significativas, associadas ao aumento da temperatura do mar.

Iniciativas legislativas e o apelo pela proibição de ancoragem

Nas próximas semanas, o Senado deve iniciar a discussão de um projeto de lei sobre a proteção dos mares. O WWF, em diálogo com a Espresso Italia, pede que o texto inclua explicitamente a proibição de atracação em trechos costeiros que abrigam habitats de elevado valor natural. É uma sugestão que vislumbra um horizonte límpido: menos danos imediatos e mais oportunidades para que a vida marinha se regenere.

Celebrar para proteger

Em ocasiões como o Seagrass Day, lembramos que as plantas fanerogâmicas marinhas — parentes terrestres que desenvolveram raízes, caules e folhas adaptadas ao ambiente subaquático — são peças-chave na luta contra a erosão costeira, na captura de carbono e na manutenção da biodiversidade. Proteger a Posidonia é semear inovação para um futuro costeiro sustentável.

O que cada um pode fazer

Há caminhos práticos para reduzir o impacto imediato: utilizar boias de amarração quando disponíveis, evitar o lançamento de âncoras sobre fundos conhecidos por abrigar pradarias, respeitar as zonas protegidas e apoiar políticas públicas que ampliem essas áreas. Pequenas ações, multiplicadas por milhares de marinheiros e veranistas, podem acender uma nova luz sobre a proteção marinha.

Como curadora de progresso pela Espresso Italia, acredito que temos diante de nós a oportunidade de tecer laços entre ciência, cidadania e legislação — para que a Posidonia volte a florescer e a iluminar novos caminhos para a vida no Mediterrâneo. O desafio é real, mas a solução passa pela combinação de conhecimento, regulamentação e respeito à natureza que nos sustenta.