Crise da neve: 273 instalações de esqui desativadas nos Alpes e Apeninos e a urgência de um plano B para a montanha
Relatório aponta 273 instalações de esqui desativadas nos Alpes e Apeninos; urge um plano B para a montanha que una sustentabilidade e reinvenção.
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Crise da neve: 273 instalações de esqui desativadas nos Alpes e Apeninos e a urgência de um plano B para a montanha
Por Aurora Bellini — Espresso Italia
Aos olhos de quem ama a montanha, o presente parece pedir um novo projeto de futuro: as cenas em preto e branco de antigas estações de inverno, com fotografias desbotadas e edifícios que guardam memórias, hoje convivem com torres metálicas abandonadas e pistas que a vegetação reaprende a ocupar. O relatório Nevediversa 2026, da Legambiente, consultado pela Espresso Italia, sinaliza que o aquecimento nas cotas elevadas encurta as temporadas e transforma a paisagem econômica e social das regiões alpinas e apenínicas.
Os números são claros: em 2026 subiu para 273 o total de instalações de esqui desativadas nos Alpes e nos Apeninos — eram 265 no ano anterior e apenas 131 em 2020. Ao mesmo tempo, o fluxo de praticantes registrou uma queda de 14,5%, reflexo de temporadas mais curtas e de um clima que já não garante a regularidade das quedas de neve naturais.
O cenário atual revela que abrir uma temporada hoje exige mais do que vontade: muitas estações sobrevivem apenas graças à neve artificial, que drena água e recursos financeiros e, mesmo assim, não assegura a continuidade quando as temperaturas não permitem a sua conservação. O resultado é um duplo desperdício — de infraestrutura e de oportunidades — que deixa também pelo caminho hotelaria, residências e outras estruturas turísticas. O relatório contabiliza ainda 247 "edifícios suspensos", entre hotéis, residências e complexos militares, que aguardam destino.
Alguns lugares tornaram-se símbolos dessa transição: dos Piani Resinelli acima de Lecco, onde restam memórias de um sonho de pistas próximas a Milão, a Valcanale, cujas antigas instalações seguem como restos esparsos em campos e bosques. Essas paisagens contam uma história de entusiasmo coletivo — quando o país descobria o esqui em massa — e agora apontam para a necessidade de reinventar o uso dessas terras.
Mais do que lamentos, a realidade exige escolhas: é tempo de desenhar um plano B para a montanha. As alternativas que emergem do diagnóstico são práticas e luminosas — diversificação de usos, turismo de natureza e de bem-estar em todas as estações, recuperação ambiental e reaproveitamento de estruturas para fins culturais, educativos e científicos. Recuperar trilhas, transformar antigos complexos em centros de pesquisa climática ou em hospedagem sustentável e fortalecer cadeias locais de economia circular podem semear soluções resilientes.
Enquanto isso, políticas públicas inteligentes e recursos orientados ao desenvolvimento sustentável tornam-se essenciais. Não se trata apenas de salvar estações, mas de cultivar territórios inteiros, preservando paisagens, gerando trabalho e construindo um legado que ecoe além das temporadas frias. A montanha pede planejamento, investimento e uma visão que una preservação e inovação — para que seus vales voltem a ser florescentes, ora sob a luz branca da neve, ora sob o verde renovado da estação de crescimento.
O desafio é grande, mas não é insuperável. Com estratégia, cooperação local e políticas que valorizem o patrimônio natural e humano, podemos iluminar novos caminhos e transformar o recuo das estações de esqui em oportunidade de renascimento cultural e econômico. A montanha, em sua sabedoria serena, convida-nos a repensar: menos máquinas que imitam o frio, mais projeto que favoreça vida — uma paisagem que cresça com nós, não apenas para nós.
Leia o relatório Nevediversa 2026 e acompanhe as propostas da Espresso Italia para um futuro de convivência sustentável com os territórios de altitude.