Verdes mantêm liderança no Baden-Wurttemberg; CDU de Merz sofre revés
Verdes vencem no Baden-Wurttemberg; CDU de Merz perde força e AfD cresce, redesenhando o tabuleiro político às vésperas do Superwahljahr.
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Verdes mantêm liderança no Baden-Wurttemberg; CDU de Merz sofre revés
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, de forma sutil porém significativa, o tabuleiro político alemão, os Verdes confirmaram-se como o primeiro partido no importante Land do Baden-Württemberg, superando por margem reduzida a CDU liderada por Friedrich Merz. O resultado reverbera além das fronteiras do Estado industrial, que abriga centros de produção da Mercedes-Benz e da Porsche, e aponta para um reposicionamento da tectônica de poder no cenário federal.
Segundo os números oficiais, a CDU alcançou 29,7% dos votos, um avanço em relação ao pleito anterior, mas insuficiente para desbancar os Verdes, que garantiram pouco mais de 30% — vitória atribuída em grande parte à imagem e popularidade do ex-ministro da Agricultura, Cem Özdemir, que encarna um perfil centrista capaz de ampliar a base eleitoral do partido ambientalista.
O Partido Social-Democrata, SPD, registrou apenas 5,6%, flertando com o limiar de exclusão parlamentar e assinalando um mínimo histórico que exige uma leitura estratégica. A participação do SPD na coalizão federal com a CDU de Merz não parece, por ora, converter-se em vantagem eleitoral para os sociais-democratas; ao contrário, sublinha fragilidades na capacidade do partido de captar votos em tempos de múltiplas crises.
Outra leitura essencial é o crescimento do partido de extrema-direita, a AfD, que dobrou seu apoio para 18,7%, tornando o Baden-Württemberg numa base sólida fora de seus tradicionais redutos do leste alemão. Para o candidato Markus Frohnmaier, o resultado demonstra um desejo por uma maioria conservadora, e que uma coligação entre CDU e AfD poderia formar um bloco de direita com capacidade de governo — hipótese que remodelaria, de modo abrupto, os equilíbrios do tabuleiro político.
A campanha foi dominada por inquietações quanto ao declínio da indústria automotiva do Estado, tema que mobilizou eleitores urbanos e rurais e tornou-se campo de disputa entre narrativa ambiental e preocupações econômicas. Pela primeira vez foi permitido votar aos jovens de 16 e 17 anos: entre os eleitores mais jovens, os melhores desempenhos foram dos Verdes e da AfD, seguidos por CDU e Linke, sinalizando uma fragmentação geracional do voto e um reposicionamento dos eixos de lealdade.
Este escrutínio no Baden-Württemberg inaugura o que os alemães designam por Superwahljahr — um ano de supereleições que inclui outros quatro pleitos estaduais: Renânia-Palatinado em 22 de março, Saxônia-Anhalt em 6 de setembro, e Berlim e Meclemburgo-Pomerânia Anterior em 20 de setembro. Estes testes sucessivos funcionam como termômetro do humor nacional e podem confirmar ou refrear o avanço da AfD em regiões orientais, onde sondagens sugerem possibilidade de ultrapassar a CDU.
No plano estratégico, a leitura que deixo é de um tabuleiro onde os alicerces da diplomacia e da política doméstica estão em reajuste: a vitória apertada dos Verdes reafirma a centralidade de lideranças carismáticas e da agenda climática em áreas industriais; o crescimento da AfD testa a resiliência das instituições democráticas; e a perda relativa para a CDU é um movimento que cobra resposta tática de Merz e seu núcleo de poder.
O padrão que emergiu neste Estado industrial não é definitivo, mas é um lance decisivo num jogo de múltiplas partidas. A estabilidade das relações de poder na Alemanha dependerá, nos próximos meses, da capacidade das forças políticas em construir coalizões críveis e de propor políticas que conciliem a transição energética com a preservação da base industrial que sustenta a economia do país.