Peskov nega condições de Trump para cessar-fogo; Rússia ataca Dnipro e Kharkiv e UE reafirma empréstimo de 90 bilhões

Peskov diz que Trump não impôs cessar-fogo; Rússia ataca Dnipro e Kharkiv, 20 feridos; UE mantém empréstimo de 90 bilhões à Ucrânia.

Peskov nega condições de Trump para cessar-fogo; Rússia ataca Dnipro e Kharkiv e UE reafirma empréstimo de 90 bilhões

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Peskov nega condições de Trump para cessar-fogo; Rússia ataca Dnipro e Kharkiv e UE reafirma empréstimo de 90 bilhões

Por Marco Severini — Em um novo movimento que revela a delicada tectônica de poder sobre o tabuleiro europeu, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que o presidente Donald Trump não impôs condições de cessar-fogo prévias para a continuação de negociações com Moscou. A declaração surge depois do contato telefônico entre Trump e Vladimir Putin e de relatos sobre o interesse do Kremlin em explorar um fim rápido do conflito, conforme indicou o assessor russo Yuri Ushakov.

“Não, tais condições não foram impostas, já se discutiu isso em ocasiões anteriores”, respondeu Peskov ao ser questionado sobre eventual exigência de um cessar-fogo anterior à retomada das conversas. A resposta, medida e estratégica, lembra o ajuste de peças antes de um lance decisivo no tabuleiro — um gesto que não altera, porém, a dinâmica do conflito no terreno.

Enquanto a retórica diplomática se ajusta, os combates e ataques prosseguem. Na madrugada, ataques russos com mísseis e drones atingiram as cidades ucranianas de Dnipro e Kharkiv, deixando ao menos 20 feridos, segundo o Kiev Independent e autoridades locais. Em Dnipro, o governador Oleksandr Hanzha reportou 10 feridos, entre eles uma criança de 12 anos; o prefeito Borys Filatov descreveu danos significativos a edificações residenciais e comerciais. “Ao menos oito prédios de vários andares foram danificados; centenas de vidraças estilhaçadas”, disse Filatov.

Dnipro, a quarta maior cidade da Ucrânia antes da guerra, com cerca de 968 mil habitantes, permanece vulnerável por sua proximidade — aproximadamente 130 km — às linhas de frente, e assim tem sido alvo regular de ataques russos. Em Kharkiv, os distritos Industrialnyi e Kholodnohirskyi foram atingidos por drones, incluindo modelos do tipo Shahed, ferindo cerca de 10 pessoas, entre elas uma adolescente, de acordo com o prefeito Ihor Terekhov.

As autoridades locais alertam que a contagem final de vítimas e os danos completos ainda estão sendo avaliados pelas equipes de emergência. Os ataques vêm dias após um míssil balístico atingir, em 7 de março, um prédio residencial de cinco andares em Kharkiv, incidente que resultou em 11 mortos — inclusive duas crianças — e pelo menos 15 feridos.

No plano financeiro e estratégico, o presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, reafirmou em Bruxelas o compromisso da União Europeia de conceder um empréstimo de 90 bilhões de euros à Ucrânia para apoiar o país em 2026 e 2027. Costa lembrou suas visitas a Kiev e sublinhou que o Conselho aprovou a operação em dezembro, como um pilar de sustentação financeira que visa preservar os alicerces frágeis da diplomacia e da reconstrução.

Neste cenário, a combinação de pressão militar contínua e iniciativas financeiras internacionais desenha um redesenho silencioso das fronteiras de influência, onde cada comunicação diplomática ou bombardeio representa um movimento calculado no grande jogo estratégico pela estabilidade regional.