Baden-Württemberg: Verdes vencem por pouco, CDU de Merz sucumbe; AfD quase dobra apoio

Verdes vencem por pouco em Baden-Württemberg; CDU de Merz derrota, AfD quase dobra votos e SPD sofre colapso. Ozdemir assume liderança ecológica.

Baden-Württemberg: Verdes vencem por pouco, CDU de Merz sucumbe; AfD quase dobra apoio

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Baden-Württemberg: Verdes vencem por pouco, CDU de Merz sucumbe; AfD quase dobra apoio

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, mais uma vez, os contornos do poder regional alemão, os Verdes emergem como primeiro partido no Baden-Württemberg, ultrapassando a CDU de Friedrich Merz por uma margem estreita. Segundo as projeções iniciais da ZDF, o quadro aponta 30,3% para os Verdes contra 29,7% para a CDU, enquanto a extrema-direita da AfD salta para 18,8%, quase dobrando seu desempenho anterior.

O resultado confirma uma leitura multifacetada: por um lado, a continuidade de um ciclo de influência dos Verdes na região automobilística — berço da Porsche e da Mercedes — que, após 15 anos sob a liderança de Winfried Kretschmann, vê a ascensão de Cem Özdemir ao cargo de presidente do Land. Özdemir torna-se o segundo chefe de governo estadual ecologista na história alemã e o primeiro político de origem turca a alcançar tal posição no Baden-Württemberg, simbolizando tanto uma virada geracional quanto a capacidade do partido de recompor sua base eleitoral.

Por outro lado, a leitura estratégica do pleito revela fissuras na direita tradicional. A derrota da CDU é interpretada como um recado sobre o desgaste de Merz frente a desafios econômicos e de geopolítica — desde pressões por cortes e reestruturações no emprego até a competição estratégica com a China —, mas também como uma sinalização interna: o candidato jovem Manuel Hagel, de 38 anos e apontado próximo ao governador de Renânia do Norte-Vestfália, Hendrick Wüst, foi fragilizado por um escândalo de divulgação de vídeo com comentários sexistas, que minou sua atração junto ao eleitorado mais conservador.

A ascensão da AfD é talvez o elemento mais inquietante deste tabuleiro: o partido consolida sua presença no Oeste alemão, notabilizando-se inclusive entre os eleitores jovens. Exit polls indicam que a AfD foi o segundo partido mais votado na faixa entre 16 e 24 anos, logo atrás dos Verdes. Esta eleição foi também a primeira em que eleitores a partir dos 16 anos puderam participar, ampliando o espectro demográfico e introduzindo novas dinâmicas de mobilização.

Enquanto isso, o SPD enfrenta um colapso severo, ficando pouco acima da cláusula de barreira de 5%, e partidos como o FDP e a esquerda da Die Linke foram mantidos fora do parlamento estadual. A combinação de recuo social-democrata e avanço da extrema-direita compõe um mapa de tensão que exigirá manobras de coalizão inteligentes.

Em termos de estratégia, a vitória dos Verdes — alimentada tanto pela herança de governo como por erros do adversário — funciona como um movimento decisivo no tabuleiro federal: fortalece uma peça central na tectônica de poder da Alemanha e complica as ambições de Merz. A composição da próxima coalizão regional terá implicações para os eixos de influência nacionais, testando a arquitetura das alianças entre ecologistas, conservadores e forças centristas.

Em suma, a leitura fria e de longo prazo é clara: o Baden-Württemberg apresenta agora um novo equilíbrio político, fruto de alicerces sociais em transformação, erros calculados dos adversários e da capacidade dos Verdes de traduzir identidade e gestão em votos. O desafio, para todos os atores, será converter esse resultado em estabilidade governativa e respostas concretas às fragilidades econômicas e geopolíticas que pairam sobre a região.