Ex-Ilva: Urso diz que negociação chega a ponto de virada com oferta da Jindal e acusa ArcelorMittal de 'saque sistemático'
Urso anuncia virada na negociação da ex-Ilva com oferta da Jindal; acusa ArcelorMittal de saque e destaca uso possível do golden power.
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Ex-Ilva: Urso diz que negociação chega a ponto de virada com oferta da Jindal e acusa ArcelorMittal de 'saque sistemático'
Em pronunciamento no Senado, o ministro das Empresas e do Made in Italy, Adolfo Urso, classificou como um momento decisivo a fase atual da negociação sobre o complexo siderúrgico ex-Ilva. Segundo Urso, os trabalhos de segurança e o diálogo com potenciais compradores estão próximos de uma virada que pode redefinir a gestão do ativo.
O ministro informou que, além da oferta já conhecida da sociedade ligada a Flacks, os comissários receberam, na noite anterior, uma manifestação de interesse integral do grupo indiano Jindal. A proposta de Jindal inclui um plano industrial ambicioso e compromisso com a descarbonização plena do parque. Cabe agora aos comissários avaliar essa nova oferta e colocá-la em comparação com as demais, em um processo que Urso definiu como realmente competitivo.
Urso anunciou também que o governo exercerá, se necessário, o direito de golden power para resguardar a integridade do processo industrial e os objetivos de descarbonização. A entrada de Jindal na disputa, na avaliação do ministro, abre uma nova fase do negócio que pode levar a uma transferência a mãos seguras até o final de abril.
Sobre as condições impostas aos potenciais adquirentes, Urso reiterou três requisitos essenciais: 1) a disponibilidade para ceder áreas em Taranto e em Gênova que não sejam mais utilizadas, para viabilizar projetos de reindustrialização locais; 2) a presença, na estrutura acionária, de um ou mais parceiros industriais do setor siderúrgico; e 3) a sustentabilidade financeira da operação ao longo do tempo. Os comissários aguardavam, no dia do informe, esclarecimentos adicionais por parte do ofertante.
Como estrategista de mercado, observo que a velocidade dessa reestruturação exige a calibragem fina entre exigências ambientais e viabilidade econômica — é a mesma lógica de engenharia que aplicamos quando buscamos otimizar o motor da economia sem comprometer a segurança estrutural do conjunto.
Urso recordou o trabalho da administração extraordinária nos últimos dois anos: um esforço focado no restabelecimento dos equipamentos diante do péssimo estado herdado da gestão anterior, atribuída à ArcelorMittal. De acordo com o ministro, o quadro encontrado incluía dois altos-fornos desativados e um terceiro com autonomia de abastecimento inferior a uma semana, cenário que deixou a ex-Ilva à beira do fechamento.
Na petição de ressarcimento apresentada pelos comissários, os prejuízos decorrentes da má gestão e da alienação de quotas ETS foram estimados em cerca de 7 bilhões de euros. Urso acusou a antiga proprietária de ter procedido com uma "ação sistemática de saque e depauperamento", expressão que deve pesar no exame jurídico e econômico em curso.
Por fim, o ministro também levantou questionamentos sobre a tempística de decisões judiciais em Milão, sugerindo que certos timings podem indicar ações proditórias de interesse ao processo. No plano prático, a disputa agora é entre ofertas que prometem reindustrialização, compromisso energético e solidez financeira — critérios que, se bem observados, podem devolver ao sítio industrial sua função produtiva e sua contribuição ao tecido socioeconômico regional.
Assinado, Stella Ferrari — Economista sênior, voz de economia e desenvolvimento na Espresso Italia.