Crise no Estreito de Hormuz faz preço do petróleo disparar; G7 prepara liberação coordenada de reservas

Bloqueio do Estreito de Hormuz eleva o preço do petróleo; G7 estuda liberação coordenada de reservas para conter alta e acalmar mercados.

Crise no Estreito de Hormuz faz preço do petróleo disparar; G7 prepara liberação coordenada de reservas

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Crise no Estreito de Hormuz faz preço do petróleo disparar; G7 prepara liberação coordenada de reservas

Por Stella Ferrari — A escalada do conflito no Irã e o consequente bloqueio do estreito de Hormuz aceleraram a pressão sobre o preço do petróleo, provocando ondas de choque nos mercados globais. Na madrugada desta segunda-feira o barril de crude atingiu picos históricos acima de 130 dólares, antes de recuar parcialmente após o anúncio de uma ação coordenada do G7.

Fontes consultadas pelo Financial Times indicam que os países do G7 se mobilizaram para uma iniciativa de emergência: uma liberação conjunta e coordenada das reservas estratégicas. Uma reunião foi convocada para as 14h30 (horário da Itália) para definir os contornos da medida, que envolveria também a Agência Internacional de Energia.

Três países — entre eles os Estados Unidos — já estariam de acordo com a manobra. Washington teria sinalizado a disposição de liberar em conjunto entre 300 e 400 milhões de barris, cifra que corresponde a aproximadamente 25%–30% do total das reservas estratégicas envolvidas. Historicamente, liberações de reservas coletivas foram raras: o mecanismo foi acionado apenas cinco vezes, segundo as anotações históricas — duas após a invasão da Ucrânia, uma durante a primeira Guerra do Golfo, outra após o furacão Katrina e uma quarta vez quando a produção na Líbia foi bloqueada.

O mero anúncio da ação do G7 provocou um alívio técnico nos preços, porém o mercado permanece em terreno elevado: o WTI do Texas subiu cerca de 15%, situando-se perto dos 105 dólares por barril, enquanto o Brent do Mar do Norte avançou 17%, aproximando-se dos 110 dólares. As estimativas do Goldman Sachs apontam para uma produção iraniana de cerca de 3,5 milhões de barris por dia, mais 0,8 milhão de condensado — o equivalente a cerca de 4% da produção mundial, com metade desse volume direcionado às exportações.

O episódio funcionou como um teste de estresse para o motor da economia global. As Bolsas asiáticas sofreram cortes significativos: Tóquio registrou uma queda do Nikkei 225 de 5,2% (fechando em 52.728,72), o KOSPI da Coreia do Sul recuou 6% (5.251,87), Taiwan caiu 4,4%, enquanto Hong Kong e Xangai registraram perdas mais moderadas, de 1,6% e 0,7% respectivamente. Os pregões europeus abriram em forte baixa, com Milão entre os mais penalizados, perto de -3%, e os bancos em particular sentindo os "freios fiscais" do momento.

Do ponto de vista estratégico e de política econômica, trata-se de uma manobra de calibragem: liberar reservas é uma forma de ajustar provisoriamente a oferta global e conter a fuga dos preços, sem, contudo, eliminar o risco estrutural que a interrupção do tráfego em Hormuz representa para cadeias de suprimento e para a inflação de commodities. Em termos de risco, a situação exige respostas rápidas, porém calibradas, evitando medidas que possam desalinhar a política monetária global ou comprometer a confiança dos investidores em prazos médios.

No plano doméstico italiano, a sexta-feira de crise coincide com um cenário de tensão social: nesta segunda-feira, 9 de março, está prevista uma greve geral de 24 horas convocada por sindicatos de base — Cobas, Cub, Usb e Adl Cobas — com a adesão da Flc Cgil, o que pode provocar interrupções em setores como educação (pública e privada), saúde, serviços e turismo. A mobilização também se insere nas ações relacionadas ao Dia Internacional dos Direitos das Mulheres, acrescentando uma camada de complexidade às redes de mobilidade e serviços.

Em suma, a combinação entre o bloqueio do estreito de Hormuz e a resposta emergencial do G7 pintam um quadro onde a volatilidade dos preços de energia permanece elevada. É essencial acompanhar a execução prática da liberação das reservas e monitorar como esse choque será transmitido ao crédito, à inflação e à confiança dos mercados — elementos que determinam a próxima marcha do motor econômico global.