Assoimmobiliare: urgem 100.000 moradias acessíveis e 120.000 camas estudantis em 5 anos

Assoimmobiliare defende 100.000 moradias acessíveis e 120.000 camas estudantis em 5 anos, com reformas urbanas, fiscal e alavanca pública (~30%).

Assoimmobiliare: urgem 100.000 moradias acessíveis e 120.000 camas estudantis em 5 anos

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Assoimmobiliare: urgem 100.000 moradias acessíveis e 120.000 camas estudantis em 5 anos

Por Stella Ferrari — A questão da moradia precisa deixar de ser apenas uma emergência social e se tornar uma alavanca estrutural de crescimento. Esta foi a mensagem clara de Davide Albertini Petroni, presidente da Confindustria Assoimmobiliare, durante o Forum in Masseria, onde apresentou um diagnóstico técnico e propostas práticas para reequacionar o setor residencial na próxima meia década.

O tamanho do desafio

O quadro é incisivo: são necessárias pelo menos 100.000 moradias a preços acessíveis nos próximos cinco anos e cerca de 120.000 camas estudantis para alinhar o país aos padrões internacionais — um patamar estimado em 20–25% da demanda universitária. Sem esses volumes, a pressão sobre preços e acessibilidade continuará a ser um freio para produtividade e coesão social.

Intervenções estruturais propostas

Para transformar intenção em entrega, Albertini Petroni detalhou intervenções que tocam o design de políticas urbanísticas e financeiras: é imprescindível atualizar os instrumentos urbanísticos, superar a fragmentação normativa e simplificar os trâmites para projetos de student housing e habitação com preços controlados. Aumentar a flexibilidade nos cambios de uso do solo foi apontado como medida-chave para liberar oferta em áreas já dotadas de infraestrutura urbana.

Atração de capitais institucionais

Para envolver capital institucional, é necessário reduzir o risco regulatório: garantir a previsibilidade dos tempos de aprovação e dos títulos edificatórios, e uma disciplina ambiental que favoreça a recuperação de áreas industriais e imóveis desativados. Também se exige restabelecer a neutralidade fiscal para investidores em locação habitacional, eliminando distorções sobre IVA e IMU, além de harmonizar a legislação sobre fundos imobiliários e definir critérios claros de retorno de capital para projetos de interesse público.

Financiamento e instrumento público-privado

Contudo, alertou o presidente da Assoimmobiliare, a escalada nos custos de construção e do capital significa que essas reformas regulatórias, por si só, não bastam. Torna-se necessária uma alavancagem financeira pública minoritária — da ordem de ~30% — capaz de atrair capitais privados com efeito multiplicador, reduzir custos e mobilizar poupança previdenciária e seguradora para investimentos de longo prazo.

Impacto socioeconômico

Fazer da habitação acessível um pilar de coesão social e de produtividade nacional exige essa orquestração entre política urbana, segurança jurídica e engenharia financeira. Em termos industriais, trata-se de calibrar o motor da economia urbana: sem a adequada combinação entre freios regulatórios e aceleração de capital, a máquina não alcança o desempenho desejado.

As propostas apresentadas às instituições, afirmou Albertini Petroni, são fatores habilitadores para iniciar um processo virtuoso capaz de enfrentar o tema do habitar de forma sustentável e escalável.

Stella Ferrari é economista sênior e estrategista de desenvolvimento, com foco em políticas de alto impacto e investimentos de longo prazo.