Mundo sedentário: 1 em cada 3 adultos e 8 em cada 10 jovens fazem pouca atividade física

Estudos em Nature mostram estabilidade do sedentarismo: 1 em 3 adultos e 8 em 10 jovens pouco ativos; >5 milhões de mortes/ano ligadas à inatividade física.

Mundo sedentário: 1 em cada 3 adultos e 8 em cada 10 jovens fazem pouca atividade física

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Mundo sedentário: 1 em cada 3 adultos e 8 em cada 10 jovens fazem pouca atividade física

Por Alessandro Vittorio Romano — A paisagem do corpo coletivo parece atravessar um inverno lento: os níveis globais de atividade física não melhoraram nas últimas duas décadas. Segundo três estudos publicados em Nature Health e Nature Medicine, cerca de um adulto em cada três e 8 em cada 10 adolescentes não praticam exercício suficiente para atender às recomendações da OMS — 150 minutos de movimento moderado por semana para adultos e 60 minutos por dia para crianças.

O quadro se desenha com números que pesam como pedras na estrada: mais de cinco milhões de mortes por ano são atribuídas, globalmente, à inatividade física. Esses estudos alertam que os esforços atuais para estimular a participação em atividades físicas são insuficientes e pedem uma resposta coordenada, capaz de transformar políticas públicas, cidades e rotinas cotidianas.

Um dos trabalhos, liderado por Deborah Salvo, da University of Texas at Austin, analisou dados de atividade física em 68 países. O que emerge é uma cartografia das desigualdades: enquanto o exercício recreativo é até 40 pontos percentuais mais frequente entre homens ricos nos países de alta renda, mulheres pobres do Sul global frequentemente permanecem à margem. Em contrapartida, a atividade vinculada ao trabalho — deslocamentos a pé, tarefas laborais fisicamente exigentes — é mais comum entre populações menos privilegiadas.

Essa divisão revela que a batalha contra o sedentarismo não é apenas sobre motivação individual, mas sobre como as cidades e as economias distribuem oportunidades de movimento. É como se metade da população colhesse frutos de hábitos saudáveis em jardins bem cuidados, enquanto a outra metade caminhava por atalhos ásperos, sem flores e sem sombras.

Os autores defendem ações integradas: políticas urbanas que priorizem transporte ativo, programas escolares que reinstalem a atividade física como parte do dia a dia, infraestrutura pública segura para caminhar e pedalar e campanhas sensíveis às diferenças culturais e econômicas. Em outras palavras, é preciso cuidar da respiração da cidade — os espaços que permitem ao corpo retomar seu ritmo natural.

Como observador do cotidiano italiano, vejo nessa pesquisa uma chamada para redesenhar a rotina com delicadeza. Pequenas mudanças — rotas seguras para ir à escola, bairros com bancos e árvores que convidem à caminhada, horários de trabalho que permitam pausas ativas — podem ser a colheita de hábitos que reformam a saúde coletiva. Não é só uma questão de ginásio: é sobre enraizar movimento nos ritmos do dia.

O desafio é também social e político. Sem políticas que reduzam as desigualdades e promovam o acesso universal a espaços seguros e atividades acessíveis, a promessa de que a atividade física contribua para a saúde pública continuará apenas na teoria. Os estudos nas publicações científicas são um convite para ações coordenadas entre governos, escolas, urbanistas e comunidades — para cultivar, enfim, um verão de bem-estar onde hoje há ainda muito inverno.

Enquanto isso, a mensagem é clara e urgente: reconectar-se ao movimento é um gesto de cuidado próprio e coletivo. A mudança começa onde andamos, pedalamos e respiramos — e passa por transformar o ambiente que nos cerca em terreno fértil para a vida em movimento.