Simone Venturini: o jovem candidato do centro-direita que quer reconstruir a governança de Veneza
Simone Venturini, 38, candidato do centro-direita em Veneza aposta no pragmatismo, lista cívica aberta e apela aos desiludidos da esquerda.
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Simone Venturini: o jovem candidato do centro-direita que quer reconstruir a governança de Veneza
Simone Venturini, 38 anos, aparece como a aposta do centrodestra para a prefeitura de Veneza e, se eleito, seria o mais jovem prefeito da história da cidade lagunar. Em uma entrevista em sua Marghera natal, onde nasceu e cresceu, ele desenha uma proposta pautada no pragmatismo, na ampliação de redes institucionais e na promessa de uma administração que funcione como uma verdadeira ponte entre os diferentes níveis de governo.
Venturini integra a geração de gestores de 30-40 anos que hoje lidera importantes realidades do Vêneto — uma corrente geracional que, na sua avaliação, é um trunfo para Veneza. "Uma certa aliança geracional, e também homogeneidade de appartenenza politica, pode ser vantajosa para a cidade", afirma. Para ele, ter o contato direto com o gabinete da primeira-ministra, com membros da Comissão Europeia, com ministros e assessores regionais é parte dos alicerces necessários para garantir cooperação multi-nível: "Não faria sentido colocar a cidade em oposição".
Depois de hesitações iniciais sobre o seu nome — "si è attesa qualche settimana perché tutte le anime fossero convinte" — as siglas do campo conservador (Lega, Fratelli d'Italia, Forza Italia, Noi Moderati e Partito dei Veneti) decidiram homologar a sua candidatura. Venturini, porém, vai concorrer com a sua própria lista cívica, Venturini Sindaco, caracterizada por forte presença juvenil. "Non sono un giovanilista e non credo che la rottamazione sia un valore di per sé", afirma, deslocando o discurso do culto da novidade para a avaliação por mérito.
Formado politicamente entre os jovens da UDC, Venturini sublinha que não é filiado a partido algum e quer que sua lista seja uma plataforma aberta: "A minha civica será aberta à sociedade civil, com perfis muito diversos, e non solo del centrodestra: parleremo molto al centro e al centrosinistra". Pediu apenas que as formações partidárias apresentem "nomi di qualità"; na câmara municipal, segundo ele, é justo que haja representantes de todas as extracoes sociais e faixas etárias — algo que, hoje, diz, ainda não acontece.
Ao explicar a sua visão de administração, Venturini insiste no valor do pragmatismo: "Credo che il valore più grande sia ascoltare tutti e trattenere le migliori idee, a prescindere dalla tessera di partito". A mensagem é clara: a construção de políticas deve priorizar resultados práticos ao invés de dogmas ideológicos — a aplicação de uma arquitetura administrativa orientada pela eficiência e pela construção de direitos reais.
Sobre a sombra política de Luigi Brugnaro, do qual foi assessor por 11 anos, Venturini é direto. Reconhece a existência de um movimento de oposição que explora o anti‑brugnarismo como elemento de coesão: "È il loro unico collante e dimostra una certa assenza di idee". Para ele, ganhar terreno pela negativa revela fragilidade programática: "Hanno pensato al dopo Brugnaro molto prima del tempo, ma già emergono crepe su questioni importanti per la città".
Ao mesmo tempo, o candidato abre a porta aos eleitores desencantados da esquerda: "Io sono aperto anche ai delusi della sinistra" — não como aposta tática, mas como convite pragmático para quem busca soluções concretas para os problemas urbanos. A sua narrativa se ancora na ideia de que a governança municipal deve funcionar como uma obra bem projetada: com alicerces sólidos, ligações eficientes entre atores e materiais de qualidade — políticas que se sustentem além do ciclo eleitoral.
Na prática, a campanha de Venturini quer combinar a experiência acumulada em Marghera com uma retórica de renovação responsável. A promessa é transformar contatos e influência em projetos palpáveis, derrubando barreiras burocráticas e entregando serviços que melhorem a vida cotidiana dos cidadãos e dos muitos imigrantes e ítalo-descendentes que somam a paisagem humana de Veneza.
Rigor, abertura e pragmatismo são as palavras de ordem. Para quem olha a política como processo de edificação social, Venturini propõe uma gestão que faça da prefeitura uma plataforma de cidadania: uma obra coletiva onde cada ideia útil é um tijolo para reconstruir a cidade.