Laura Mattarella: 'A verdadeira paridade só virá quando mulheres no topo não forem exceção'

Laura Mattarella: verdadeira paridade só será quando mulheres no topo não forem exceção; maternidade ainda penaliza carreira.

Laura Mattarella: 'A verdadeira paridade só virá quando mulheres no topo não forem exceção'

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Laura Mattarella: 'A verdadeira paridade só virá quando mulheres no topo não forem exceção'

Em entrevista exclusiva ao Tg3, a filha do presidente da República, Laura Mattarella, fez um diagnóstico claro e crítico sobre a situação da igualdade entre homens e mulheres na Itália. Para ela, apesar de uma paridade formal inscrita em leis e regulamentos, ainda falta transformar essas normas nos alicerces concretos da vida pública e profissional.

"Na teoria temos uma paridade plena, mas na prática ainda temos um longo caminho", afirmou Laura. Ela apontou a diferença salarial como um exemplo eloquente desse descompasso: "A diferença salarial entre homens e mulheres é um exemplo lampante".

Outro ponto enfatizado pela entrevistada é a visibilidade reduzida das mulheres em posições de comando. "Temos poucas mulheres ao topo e quando chegam são tratadas como exceções. Por isso há grandes manchetes quando surge a primeira mulher presidente da Corte Constitucional, a primeira presidente da Cassação ou a primeira mulher presidente do Conselho. É justo celebrar a conquista, mas a verdadeira paridade será alcançada apenas quando essas mulheres forem reconhecidas pelo seu currículo e não como uma exceção".

Na linha do que chamo de construção de direitos, Laura sublinhou que os papéis precisam ser reequilibrados: "Não pode existir um modelo masculino no trabalho e um modelo feminino dentro de casa". Para que a igualdade deixe de ser um ideal no papel e se torne efetiva, ela defende um esforço continuado de educação e formação, dirigido tanto a homens quanto a mulheres. "Falta ainda um trabalho cultural e social longo", disse, lembrando que enquanto parte significativa das mulheres não conseguir emergir, "a sociedade italiana inteira fica empobrecida".

Laura Mattarella também recordou o significado histórico do primeiro voto feminino, dado no referendo entre Monarquia e República em 2 de junho de 1946: "Foi a conclusão de um caminho longo que finalmente reconheceu o papel das mulheres na sociedade italiana". Ela ressaltou que muitas dessas mulheres haviam sustentado o país durante as duas guerras, não apenas socialmente, mas também economicamente — na agricultura, nas fábricas e no cuidado das famílias e dos feridos do front. O reconhecimento do voto às mulheres, coincidente com o retorno à democracia, foi para Laura um momento fundamental na arquitetura da cidadania italiana.

Ao abordar a maternidade, a filha do chefe de Estado falou com franqueza: "Exceto pouquíssimas exceções, não conheço uma amiga que não tenha pago um preço profissional pela maternidade". Ela contou que, por escolha, há mais de dez anos deixou sua atividade profissional para acompanhar o pai após sua eleição: "Por ora não exerço minha atividade profissional, mas trabalhei a vida inteira e conheço bem as dificuldades que uma mulher com crianças pequenas enfrenta quando precisa trabalhar". "Tem sido difícil conciliar, é complicado encontrar equilíbrio", completou, reafirmando seu temor de que a maternidade ainda seja um obstáculo no mercado de trabalho italiano.

Como um repórter que observa a construção dos direitos e a ponte entre decisões de Roma e a vida cotidiana, registro que as palavras de Laura Mattarella reafirmam uma urgência: transformar conquistas simbólicas em estruturas permanentes de igualdade — derrubar barreiras burocráticas, repensar políticas laborais e sociais, e promover uma mudança cultural que permita às mulheres ocupar o seu lugar sem que isso seja notícia por ser raro.