Transporte de Animais Vivos: Itália Assume Papel de Destaque na Discussão Europeia

82% dos europeus preocupados com transporte de animais vivos; na Itália preocupação atinge 90%. Pesquisa em nove países apresentada ao Parlamento Europeu.

Transporte de Animais Vivos: Itália Assume Papel de Destaque na Discussão Europeia

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Transporte de Animais Vivos: Itália Assume Papel de Destaque na Discussão Europeia

Apuração jornalística — Um levantamento encomendado por organizações de proteção animal e apresentado hoje no Parlamento Europeu revela que a maioria dos cidadãos da União Europeia está preocupada com o transporte de animais vivos em direção aos matadouros. O estudo, conduzido pela agência Savanta, ouviu 8.531 adultos em nove Estados-membros e mostra que a inquietação é geral — mas atinge o pico na Itália.

Segundo o inquérito, 82% dos europeus declaram-se preocupados com o bem-estar animal durante as jornadas. Entre os entrevistados italianos, a taxa sobe para 90%. As organizações que encomendaram a sondagem — Eurogroup for Animals, Essere Animali e LAV — apresentaram os resultados como elemento de pressão enquanto o Parlamento reexamina as normas comunitárias que regulam o transporte de animais vivos.

Os efeitos denunciados são consistentes com relatórios técnicos: viagens que duram milhares de quilômetros expõem os animais a variações climáticas extremas — do frio intenso ao calor escaldante — frequentemente sem proteção adequada nas carrocerias dos caminhões, com restrições de movimento e insuficiência de água e alimento. Esses episódios, descritos pelas organizações como "viagens da morte", terminam com o abate.

O estudo mostra ainda que 84% dos entrevistados apoiam medidas mais severas, por exemplo o veto ao transporte de animais grávidos ou não desmamados. Paralelamente, 72% manifestaram apoio à adoção de regras mais rigorosas em termos gerais para o transporte de animais vivos. As propostas defendidas pelas entidades vão mais longe: sugerem o fim progressivo do transporte de animais vivos para abate dentro da UE, privilegiando o deslocamento apenas de carne já processada.

Fontes reunidas junto a técnicos e ao próprio Parlamento indicam um clima de tensão entre os objetivos de proteção animal e a pressão do setor agropecuário. Representantes do setor alertam para custos e complexidades logísticas, enquanto órgãos científicos como a EFSA (Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar) apontam falhas nos regulamentos atuais e oferecem recomendações para reduzir sofrimento em viagem.

A pesquisa envolveu cidadãos de Bélgica, Chipre, França, Irlanda, Itália, Polônia, Portugal, Romênia e Espanha, oferecendo um painel representativo desses Estados-membros. O resultado chega num momento em que o Parlamento Europeu discute mudanças no regulamento sobre transporte de animais vivos, com relatórios técnicos e pressões políticas em contraposição às demandas das associações de defesa animal.

Dados contextuais lembram que o transporte de animais vivos para abate é uma prática de larga escala na UE. Organizações de defesa animal reclamam maior transparência nas rotas, limites de tempo de transporte, e proibições específicas para grupos vulneráveis — medidas que, segundo as entidades, reduzirão sofrimento e mortalidade durante as viagens.

Em linha com o método de reportagem adotado, esta matéria resulta do cruzamento de fontes: o inquérito da Savanta, posicionamentos das ONGs, avaliações técnicas da EFSA e sinais captados no Parlamento Europeu. A discussão continuará em plenário nas próximas semanas, com impactos potenciais sobre normas, comércio e práticas de transporte dentro do mercado único.