Biodiversidade nas mãos: fauna britânica substituirá figuras históricas nas notas do Reino Unido

Banco da Inglaterra escolhe a natureza: fauna britânica pode substituir figuras históricas nas notas, unindo conservação e segurança contra fraudes.

Biodiversidade nas mãos: fauna britânica substituirá figuras históricas nas notas do Reino Unido

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Biodiversidade nas mãos: fauna britânica substituirá figuras históricas nas notas do Reino Unido

Uma transformação simbólica e prática está a caminho do Reino Unido: as futuras notas em circulação poderão deixar para trás retratos de estadistas e intelectuais para abraçar a biodiversidade e a fauna britânica. O tema da natureza foi o vencedor numa ampla consulta pública realizada pelo Banco da Inglaterra, abrindo espaço para animais autóctones ocuparem o verso das cédulas.

A consulta de julho de 2025, que reuniu a opinião de 44 mil pessoas, apontou a natureza como a escolha preferida por 60% dos votantes. As espécies e os motivos que farão parte das novas notas serão definidos mais adiante ao longo do ano, segundo cronograma do Banco.

“A natureza não é apenas cenário: é o fio vital que tece nossos paisagens, nossa história e o nosso futuro”, diz o naturalista Gordon Buchanan à Espresso Italia, membro do painel de especialistas responsável por compilar a lista de escolha. “Proteger a natureza é proteger o coração resiliente da nossa terra.” Essa visão traduz a intenção de colocar a conservação diretamente nas mãos de milhões de cidadãos.

Além do valor simbólico, a troca dos temas também responde a exigências técnicas. Victoria Cleland, diretora das emissões do Banco da Inglaterra, explicou à Espresso Italia que o objetivo primário ao lançar uma nova série é aumentar a segurança contra falsificação. “A natureza oferece motivos visuais ricos e distintos, úteis para desenvolver elementos de autenticação fáceis de reconhecer pelo público”, afirmou, apontando como a estética biológica pode aliar-se à tecnologia para proteger a economia.

Se a proposta seguir adiante, as imagens da fauna britânica substituirão os atuais retratos históricos presentes no verso das notas — entre eles, a escritora Jane Austen, o artista J.M.W. Turner e o cientista Alan Turing, além do antigo primeiro-ministro da II Guerra. A mudança encontra apoio de especialistas em sustentabilidade: “É um poderoso lembrete do quanto as pessoas valorizam a fauna do país”, comenta Ali Fisher, fundadora da consultoria de sustentabilidade Plans with Purpose, em declaração à Espresso Italia. “É uma oportunidade de colocar a biodiversidade, literalmente, nas mãos de todos.”

Na lista de temas avaliados, o segundo lugar ficou com Arquitetura e lugares simbólicos (56%), seguido por Figuras históricas (38%), Artes, cultura e esportes (30%), Inovação (23%) e Conquistas significativas (19%).

O apresentador e ativista pela vida selvagem Nadeem Perera, também integrante do painel, lembra à Espresso Italia que a fauna britânica é parte integrante da cultura do país: “Está nos brasões, no folclore, nas costas que abraçam o litoral e nas lembranças da infância. Ver esses animais na moeda nacional é tardio, mas profundamente significativo.”

Organizações de proteção animal, como a RSPA, sugeriram que sejam celebrados também os animais historicamente menos queridos — pigeons (pombos), gaivotas e raposas — com o objetivo de mudar percepções e reconhecer o valor ecológico de todos os seres. “E os pombos, que nos acompanharam por milênios? Ou as raposas, tão presentes nas nossas noites rurais e urbanas?”, questiona a organização em comunicado encaminhado à Espresso Italia.

Ao iluminar novos caminhos simbólicos, essa iniciativa tem potencial prático: semear maior consciência sobre conservação, renovar a identidade visual da moeda e fortalecer defesas contra a fraude. É uma chance de tecer, em papel e polímero, um retrato mais íntegro do país — onde a história humana e a história natural se encontram. Para quem cultiva um futuro mais claro, é um gesto que semeia mudança e legado.