Trump diz que "não há mais o que atingir" no Irã e garante fim rápido da guerra
Trump afirma que 'não há mais nada a atingir' no Irã e promete fim rápido da guerra; EUA evitam minas no Estreito de Hormuz e FBI alerta sobre ameaças à Califórnia.
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Trump diz que "não há mais o que atingir" no Irã e garante fim rápido da guerra
Por Marco Severini — Em uma declaração que combina confiança estratégica e retórica de poder, o presidente Donald Trump afirmou que, no teatro de operações contra o Irã, "não há mais nada para atingir" e prometeu que a guerra terminará em breve — quando ele assim decidir. A entrevista telefônica concedida ao Axios busca transmitir controle absoluto da administração norte-americana sobre a crise no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que revela tensões internas e incertezas no tabuleiro político doméstico.
Trump realçou que as forças americanas teriam infligido danos superiores ao inicialmente estimado nas fases iniciais do conflito, e que a operação denominada "Epic Fury" só cessaria diante de uma rendição incondicional de Teerã. "Estamos adiantados em relação aos cronogramas previstos. Causamos mais danos do que pensávamos possíveis, mesmo nas primeiras seis semanas", afirmou o presidente, acrescentando que o "trabalho no Irã precisa ser concluído".
O presidente também tentou dissipar receios sobre a segurança do tráfego marítimo: garantiu que não existem minas no Estreito de Hormuz e prometeu "enorme segurança" para as embarcações na região. De acordo com sua versão, forças americanas teriam neutralizado quase todas as embarcações iranianas lançadoras de minas em uma única noite, além de ter colocado fora de combate a marinha, a aviação e os sistemas de defesa aérea iranianos. Os números divulgados pelo próprio Trump sobre as minas destruídas variaram — primeiro 28, depois 31 — refletindo, na minha leitura, a volatilidade informativa típica de fases altas de conflito.
Paradoxalmente, o presidente admitiu surpresa com a intensidade do emprego militar: "Tenho um grande exército, que construí no meu primeiro mandato. Não esperava usá-lo tanto". Essa revelação ecoa nas esferas políticas domésticas: a base MAGA manifesta crescente impaciência com uma guerra que não se coaduna com a agenda "America First" e que já impõe custos humanos e econômicos elevados aos EUA. Entre os republicanos, a corda também estica; o senador Lindsey Graham, aliado histórico de Trump e ardoroso defensor de uma linha dura contra o Irã, tem visto sua posição eleitoral e política ser cobrada à medida que o conflito se arrasta.
Além disso, um alerta do FBI acrescentou uma nova dimensão de risco: inteligência apontaria que, no início de fevereiro de 2026, o regime iraniano teria considerado, como opção, um ataque surpresa com drones a partir de uma embarcação não identificada nas águas ao largo da Califórnia, visando alvos não especificados, caso os Estados Unidos realizassem raids adicionais contra o Irã. A menção explícita à costa oeste eleva a tensão estratégica para um palco doméstico e impõe demandas de defesa que vão além do teatro tradicional do Golfo Pérsico.
Em termos geopolíticos, estamos diante de um movimento decisivo no tabuleiro: o governo americano combina demonstração de força militar com narrativa de controle político. Mas as fragilidades da diplomacia permanecem — alicerces frágeis que podem gerar novos desdobramentos. A tectônica de poder entre Washington e Teerã ainda não produziu um desfecho claro, e a exigência de uma "rendição incondicional" por parte iraniana parece, por ora, mais um objetivo maximalista do que uma previsão realista de curto prazo.
Enquanto isso, cabe observar a dinâmica interna nos EUA: a erosão gradual do consenso político em torno da operação, a inquietação da base e o alerta de ameaças que tocam a própria costa americana configuram um cenário onde decisões futuras serão calibradas tanto nos níveis técnico-militares quanto no imponderável do capital político.
Em suma, as declarações presidenciais são um movimento de contenção política e militar — uma tentativa de reposicionar as peças em um tabuleiro complexo. Resta saber se esse reposicionamento produzirá estabilidade ou apenas redesenhará fronteiras invisíveis de influência e risco.