Trump avisa que conflito com o Irã pode se intensificar se atacarem o abastecimento de petróleo

Trump alterna promessa de fim da guerra com ameaça de intensificar ataques se Irã mirar o abastecimento de petróleo.

Trump avisa que conflito com o Irã pode se intensificar se atacarem o abastecimento de petróleo

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Trump avisa que conflito com o Irã pode se intensificar se atacarem o abastecimento de petróleo

Por Marco Severini — Em uma conferência de imprensa presencial marcada por alternâncias de tom e de estratégia retórica, o presidente Trump deixou claro que o desfecho da guerra contra o Irã permanece incerto, embora tenha oscilado entre a promessa de um fim próximo e ameaças de nova escalada caso Teerã tente comprometer o fornecimento energético global.

Na primeira aparição pública desde que os EUA e Israel atacaram o Irã, Trump afirmou inicialmente que o conflito "acabará muito em breve" e sustentou que as forças iranianas "perderam tudo, não têm mais liderança". Entretanto, ao responder perguntas da imprensa, o presidente retomou um tom mais beligerante: advertiu que a reação norte-americana "poderia tornar-se ainda mais agressiva" se os líderes iranianos tentarem interromper as rotas de energia.

Do lado iraniano, Teerã declarou que pretende atingir, no Estreito de Hormuz, apenas as embarcações americanas e israelenses, preservando a passagem para demais bandeiras. Esse recorte operacional, contudo, não neutraliza o risco sistêmico: mesmo ataques seletivos sobre navios-chave elevam o prêmio de risco nas rotas marítimas e agitariam os mercados de combustíveis.

Na arena doméstica americana, Trump enfrenta a primeira verdadeira crise energética de seu mandato. O aumento dos preços do combustível — com impacto imediato no diesel e no custo do transporte — gerou mal-estar até entre parte de sua base eleitoral. "Nós os atingiremos tão fortemente que não será possível para eles, nem para quem os ajudar, recuperar aquela parte do mundo", disse Trump aos jornalistas, em uma frase que busca projetar dissuasão máxima e demonstrar capacidade de punição.

Horas antes, em entrevista à CBS, o presidente havia adotado uma narrativa distinta: "A guerra está praticamente concluída", afirmou, sugerindo que os Estados Unidos avançavam muito além do cronograma inicialmente previsto (4-5 semanas). Essas observações suavizaram momentaneamente o apetite por risco nos mercados: o preço do petróleo caiu e as ações subiram. Porém, após o fechamento das Bolsas e a mudança de tom de Trump, a incerteza voltou a predominar.

Os números refletiram essas oscilações: o referencial internacional do petróleo, que estava abaixo de US$70 em fevereiro, saltou a quase US$120 durante a noite de domingo, para depois recuar parcialmente após declarações dos países do G7 sobre avaliação de medidas para conter a alta — e igualmente após as palavras conciliatórias de Trump à CBS.

Em encontro com legisladores republicanos na Flórida, o presidente foi claro quanto à intenção política e militar: "Vencemos de muitas maneiras, mas não o suficiente" e "seguimos mais determinados do que nunca a alcançar a vitória final que extinguirá esse perigo de longa duração de uma vez por todas". Perguntado se a guerra terminaria ainda esta semana, respondeu sucintamente: "Não"; e acrescentou apenas: "Em breve, muito em breve."

Além disso, Trump declarou decepção com a nomeação de Mojtaba Khamenei como sucessor do pai, o aiatolá Ali Khamenei — figura que, no relato dos acontecimentos, teria sido eliminada no primeiro dia da guerra. A nomeação, segundo o presidente, tende a reproduzir os problemas que afligem o Irã.

Do ponto de vista estratégico, assistimos a um movimento decisivo no tabuleiro: a alternância entre sinais de encerramento e advertências de escalada funciona como instrumento político para controlar expectativas internas e internacionais, mas fertiliza a volatilidade de mercados que dependem de alicerces energéticos já frágeis. A tectônica de poder regional — com Estados Unidos, Israel e Teerã jogando peças pesadas — continua a redesenhar fronteiras invisíveis de influência, enquanto atores terceiros ponderam intervenções para amortecer choques econômicos.

Em suma, a diplomacia encontra-se em equilíbrio delicado: as declarações públicas são peças em um jogo maiores de pressão estratégica. A variável energética permanece como potencial gatilho de escalada, e qualquer movimento no Estreito de Hormuz exigirá cálculo cuidadoso para evitar que a crise se transforme num teatro de conflito prolongado com consequências globais.