Giovanelli: 'Quesada implantou uma nova continuidade na Itália após triunfo histórico'
Giovanelli elogia Quesada e ressalta a nova continuidade da Itália no Sei Nazioni após vitória histórica sobre a Inglaterra.
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Giovanelli: 'Quesada implantou uma nova continuidade na Itália após triunfo histórico'
ROMA, 09 de março de 2026 — Em uma leitura que ultrapassa o placar, Massimo Giovanelli, ex-capitão da seleção italiana de rúgbi, avaliou com serenidade e perspectiva histórica a primeira vitória da Itália sobre a Inglaterra no torneio do Sei Nazioni. Convidado do programa Radio Anch'io Sport, na Rai Radio 1, Giovanelli destacou sobretudo a mudança estrutural que o técnico Gonzalo Quesada tem imprimido ao projeto nacional.
"O lado novo desta nova Itália é a continuidade mesmo nos momentos difíceis, a capacidade de fazer sistema", afirmou o ex-terceira linha, ressaltando a coesão coletiva e uma defesa muito organizada como fundamentos da vitória. "Quesada conseguiu imprimir positividade, calma e segurança, revisitando desempenhos anteriores e apostando na certeza das qualidades e na força moral da equipe".
A observação vai além do elogio ao treinador: configura uma leitura institucional. Para Giovanelli, o triunfo não é um episódio isolado mas o resultado de um processo que passa pela valorização de jogadores que fizeram carreira em ambientes competitivos, como o campeonato francês, tradicionalmente o mais exigente da Europa. "Nos últimos 25 anos muitos italianos foram jogar na França e se afirmaram. Estamos diante de uma terceira geração de qualidade", disse, citando exemplos concretos: os irmãos Cannone, os irmãos Garbisi e o capitão Lamaro.
O ex-capitão chamou atenção para outro aspecto estrutural: a necessidade de dar continuidade à filiera produttiva — à cadeia de formação de atletas. "Temos uma geração muito forte de jogadores italianos e oriundi, mas muitos vêm de pequenos clubes de província, de aldeias, que realizam um trabalho de base imprescindível", explicou Giovanelli. Ele lembrou que os irmãos Cannone nasceram e se formaram no Bombo Rugby de Florença, um exemplo do papel dos clubes locais na construção de identidades e trajetórias.
Essa leitura, típica de quem vê o esporte como fenômeno social, aponta que a sustentação do sucesso depende de políticas que conectem formação amadora, estruturas regionais e a elite profissional. A vitória sobre a Inglaterra, nesse sentido, funciona como catalisador: reforça a credibilidade do projeto técnico e pode atrair investimentos, visibilidade e jovens para as categorias de base.
Giovanelli não se ilude com narrativas efêmeras. Sua ênfase na continuidade é um alerta: para consolidar o crescimento é preciso institucionalizar a confiança, proteger o trabalho dos pequenos clubes, profissionalizar a transição entre categorias e manter uma filosofia de jogo que valorize disciplina defensiva e coesão coletiva. "A Itália precisa transformar esse momento em processo", concluiu.
Ao observar a cena mais ampla do rúgbi europeu, o comentário de Giovanelli é, acima de tudo, um convite à reflexão. A vitória em Twickenham — ou onde quer que tenha sido comemorada oficialmente — é um ponto de inflexão. Resta ao sistema esportivo italiano traduzir o êxito em políticas duradouras, solidificando uma trajetória que, até aqui, dependeu mais de episódios heroicos do que de estruturas robustas.
Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes — Espresso Italia