Governo avalia intervenções diante da disparada do preço do gás após escalada no Oriente Médio
Itália estuda decreto, emendas ao Dl Bollette e apoio aos aliados após alta do preço do gás causada por escalada no Oriente Médio.
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Governo avalia intervenções diante da disparada do preço do gás após escalada no Oriente Médio
Por Stella Ferrari — O Governo observa com atenção a rápida alta do preço do gás provocada pela nova escalada do conflito no Oriente Médio. A cotação do TTF praticamente dobrou em dois dias, subindo dos 31 euros por megawatt-hora na sessão de sexta-feira, 27 de fevereiro — última negociação antes dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã e da consequente resposta de Teerã — até atingir cerca de 60 euros hoje.
Estão sobre a mesa várias hipóteses de ação. Uma delas é a preparação de um novo decreto com medidas de apoio a famílias e empresas para mitigar o caro energia, embora fontes governamentais indiquem que a implementação não seria imediata. Avaliam-se também questões relacionadas às escortes de navios e às linhas de fornecimento, além de possíveis ristori (compensações) financeiras. Não é descartada nem a inclusão de um emenda ao Dl Bollette, que está em discussão na Comissão da Câmara. A decisão final dependerá da evolução e da duração do conflito.
Enquanto isso, a Lega prepara emendas ao decreto bollette, e o Executivo está coletando projeções econômicas sobre o impacto da escalada bélica. Nas próximas horas ou dias, é provável que o Governo promova um encontro com associações empresariais para traçar um ponto de situação e calibrar respostas. A primeira-ministra Giorgia Meloni reuniu em Palazzo Chigi o vice-premier e ministro dos Negócios Estrangeiros Antonio Tajani, o ministro da Defesa Guido Crosetto, o ministro do Ambiente e da Segurança Energética Gilberto Pichetto Fratin, além dos subsecretários Alfredo Mantovano e Giovanbattista Fazzolari, para debater medidas de assistência e garantir a segurança dos cidadãos italianos nas zonas afetadas.
No mesmo encontro, discutiu-se o possível apoio militar aos países do Golfo — com a hipótese de envio de sistemas anti-drone e do sistema de defesa aérea Samp-T — e, em seguida, uma análise mais aprofundada do impacto imediato e potencial das hostilidades sobre os mercados de energia e a economia nacional. Foram avaliadas ações de mitigação que o Governo poderia adotar no curto e no médio prazo, sempre com a preocupação de não precipitar movimentos que possam gerar efeitos colaterais nos mercados.
Do ponto de vista das fornecimentos, o anúncio da decisão do Qatar de interromper temporariamente parte da produção de gás natural liquefeito (GNL) foi considerado no exame governamental, que aponta não haver impacto imediato. O risco principal surge em cenários mais prolongados, por exemplo se o bloqueio do Estreito de Hormuz se mantiver por um período extenso, forçando clientes a redirecionar compras junto aos atuais fornecedores da Itália.
Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Itália reduziu progressivamente a importação de gás russo, que até 2021 era seu principal fornecedor. Hoje, a estratégia é de diversificação: importações de GNL dos Estados Unidos, Qatar, Nigéria e Angola, e fornecimento por gasoduto, sobretudo da Argélia e do Azerbaijão. Um ponto de folga é que os estoques permanecem elevados, oferecendo uma almofada de segurança útil diante de choques de oferta.
Como estrategista, vejo a situação como uma questão de calibragem: é preciso equilibrar a rapidez da resposta com precisão técnica, evitando acionamentos bruscos dos freios fiscais que possam reduzir a resiliência do setor produtivo. O motor da economia exige decisões que preservem liquidez, mantenham cadeias de fornecimento e garantam proteção social, sem negligenciar a segurança geopolítica. A aceleração de tendências energéticas — renováveis, armazenamento e contratos de longo prazo — torna-se ainda mais estratégica no design de políticas que queremos ver adotadas.