EUA: inflação anual mantém-se em 2,4% em fevereiro; inflação core em 2,5%
EUA: inflação anual em 2,4% em fev/2026; inflação core em 2,5%. IPC mensal sobe 0,3% antes do choque geopolítico com o Irã.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
EUA: inflação anual mantém-se em 2,4% em fevereiro; inflação core em 2,5%
Por Stella Ferrari — Os Estados Unidos registraram inflação anual estável em 2,4% em fevereiro de 2026, mantendo o ritmo observado em janeiro e alcançando o nível mais baixo desde maio de 2025. Os números confirmam uma trajetória de desaceleração em termos anuais, embora a dinâmica mensal mostre sinais de movimento mais acelerado.
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,3% em relação a janeiro, uma ligeira aceleração ante os 0,2% do mês anterior e em linha com as expectativas do mercado. No recorte setorial, os preços da energia avançaram 0,5%, enquanto os preços dos alimentos registraram alta de 3,1% no acumulado anual.
O componente de habitação (shelter) teve alta mensal de 0,2% e foi o principal responsável pelo impulso recente do IPC. Já a inflação core, que exclui alimentos e energia, permaneceu estável em 2,5% na base anual — muito próxima do menor patamar desde 2021 — e acelerou 0,2% em termos mensais, abaixo dos 0,3% observados no mês anterior.
Esses dados, embora coerentes com as projeções de analistas, antecedem uma nova pressão inflacionária provocada pelo ataque contra o Irã, evento que, nas horas seguintes à divulgação, realimentou preocupações sobre choques de oferta e possível reprecificação de ativos energéticos. Em outras palavras, os números divulgados capturam a situação anterior ao choque geopolítico que pode alterar a trajetória de curto prazo dos preços.
Do ponto de vista estratégico, estes resultados mantêm o painel de instrumentos da política monetária relativamente calibrado: a inflação anual recuando para patamares próximos à meta sugere menor urgência para mudanças drásticas na calibragem dos juros, mas a aceleração mensal e os riscos externos representam variáveis que não podem ser ignoradas pelo Federal Reserve. É o típico equilíbrio entre acelerar e frear — pensar no motor da economia que responde tanto ao ajuste fino das políticas quanto a solavancos externos.
Para investidores e gestores, a leitura é clara: mantenha a atenção sobre os dados mensais de preços e sobre desdobramentos geopolíticos. A performance dos títulos e das moedas seguirá sendo sensível a qualquer reinterpretação destes sinais inflacionários. Em um cenário onde a estabilidade anual convive com micro-acelerações mensais, a disciplina na gestão de risco e a prontidão para ajustar posições são essenciais — como uma suspensão calibrada em um carro de alta performance, que antecipa imperfeições na pista.
Em suma, fevereiro consolidou uma inflação anual mais amena nos EUA, com a inflação core mantendo-se em 2,5%, mas a moderada aceleração mensal e o risco geopolítico introduzem incerteza para a próxima leitura. O mercado e a política monetária seguirão avaliando se esses sinais constituem tendências sustentáveis ou meras flutuações de curto prazo.