Morre Walter Martino, baterista e cofundador dos Goblin; autor da trilha de Profondo Rosso
Morre Walter Martino, baterista e cofundador dos Goblin; participou da trilha de Profondo Rosso. Uma perda para o rock e o cinema italiano.
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Morre Walter Martino, baterista e cofundador dos Goblin; autor da trilha de Profondo Rosso
Morreu no dia 7 de março o baterista e compositor Walter Martino, figura-chave na história do rock e do cinema de gênero italiano. A notícia foi divulgada pelas redes sociais dos Goblin, grupo com o qual Martino deixou uma marca indelével na paisagem sonora do cinema. Segundo a nota oficial da banda, tratou‑se de uma partida súbita que deixa colegas, fãs e a família enlutados.
“Com grande dor anunciamos a perda súbita de Walter Martino, baterista, cofundador dos Goblin e entre os compositores da trilha de Profondo Rosso”, diz o comunicado. A mensagem celebró tanto o papel de Martino na consolidação do som do grupo quanto a sua contribuição para algumas das páginas mais icônicas do cinema italiano: “O seu talento, a sensibilidade musical e o espírito criativo foram determinantes para definir o timbre dos Goblin”.
Nascido em Milão a 18 de abril de 1953, Walter Martino era filho do célebre pianista e cantor Bruno Martino, o crooner autor do standard jazz nacional “Estate”, única canção italiana incorporada ao Real Book dos standards internacionais. A genealogia musical de Walter traça um espelho — por vezes dissonante, por vezes harmônico — entre a tradição do canto e a fermentação do rock progressivo e do cinema de horror.
Ao longo da carreira, Martino integrou formações históricas do rock italiano, como Il Ritratto di Dorian Gray, Seconda generazione e o Banco del Mutuo Soccorso. Foi com os Goblin que assinou, em 1975, a participação composicional na trilha de Profondo Rosso, filme de Dario Argento que se tornou um ícone do cinema de suspense e cuja sonoridade ajudou a definir a linguagem sensorial do gênero.
Três anos depois, Martino colaborou com os Libra nas músicas de Shock, último filme de Mario Bava, encerrando um ciclo importante de hibridização entre rock progressivo e atmosferas cinematográficas. Essas colaborações não são apenas créditos em uma ficha técnica: representam capítulos do roteiro oculto da sociedade, onde som e imagem se encontram para moldar memórias coletivas.
Os companheiros de banda lembram Walter não apenas como um músico de grande calibre, mas como um amigo e companheiro de viagem: “Além de um grande músico, perdemos um amigo e um companheiro de jornada, com quem compartilhamos música e momentos importantes de nossa trajetória. Neste momento de imensa tristeza, estamos próximos à sua família e a todos que o amaram”.
Martino faleceu no hospital de Livorno. Sua partida reverbera como um eco cultural: uma era do som que embalou cenas, medos e deleites de gerações encontra agora um ponto final, mas deixa um legado que continuará a tocar as filmotecas e os palcos. A voz da sua bateria permanece, como nos melhores roteiros, um elemento que transforma silêncio em memória.
Chiara Lombardi — Espresso Italia