Dimissão no La Fenice após confirmação de Beatrice Venezi: conselheiro do MIC critica politização

Conselheiro Alessandro Tortato pede demissão da Fenice após confirmada nomeação de Beatrice Venezi; ele critica politização do processo.

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Dimissão no La Fenice após confirmação de Beatrice Venezi: conselheiro do MIC critica politização

Por Chiara Lombardi — Em um desdobrar que revela o roteiro oculto entre cultura e política, Alessandro Tortato anunciou sua saída do conselho de indirizzo da Fondazione Teatro La Fenice de Veneza. A decisão vem logo após o voto consultivo do conselho, presidido pelo prefeito Luigi Brugnaro, que reafirmou a nomeação de Beatrice Venezi como diretora musical do teatro por quatro anos a partir de outubro de 2026.

Em um longo post no Facebook, Tortato explicou os motivos do ato: segundo ele, o processo se tornou "meramente político" e, por isso, não faria mais sentido manter um músico entre os conselheiros. Nomeado pelo Ministério da Cultura em janeiro de 2025 para ocupar uma função técnica, ele relata reconhecimento e vínculo afetivo com o teatro — palco de sua formação musical e de suas atuações como diretor artístico e principal da Accademia Musicale di San Giorgio, orquestra residente da Fondazione Cini.

O conselheiro lembra que aceitou o convite sem filiação partidária e com a convicção de que, em democracia, quem vence tem o direito de governar também as instituições culturais. No entanto, questiona a forma como se deu a declaração sobre a aprovação do conselho. No texto, Tortato afirma que a escolha de Nicola Colabianchi como sovrintendente foi legítima, assim como a nomeação de Venezi, conforme o estatuto do teatro. O ponto de ruptura, segundo ele, foi a comunicação de que a indicação teria sido aprovada por unanimidade pelo conselho — afirmação que Tortato contesta como inexata.

Em seu relato, Tortato sustenta que, de acordo com o estatuto, o conselho de indirizzo não tem competência para decidir sobre nomeações artísticas, podendo intervir apenas em aprovações de orçamento, programação, indicação do sovrintendente e temas sindicais. Ao ver um organismo consultivo chamado a pronunciar-se sobre uma nomeação artística, ele entendeu que a questão havia ultrapassado o campo técnico e adentrado o terreno político, tornando a presença de um musicista no conselho desnecessária.

O desfecho é simples e simbólico: "Portanto, eu me vou", escreve Tortato, que formalizou a dimissão após a confirmação da nomeação da maestrina. A declaração acende um debate mais amplo sobre governança cultural: quem decide, quais espaços são técnicos e quais são políticos, e até que ponto as instituições artísticas resistem ao eco das disputas partidárias.

Como um espelho do nosso tempo, a movimentação em torno da Fenice expõe o conflito entre autonomia cultural e visibilidade política. A cena italiana, com seus teatros centenários, reflete um cenário de transformação em que nomeações e procedimentos administrativos viram também palcos de conflito simbólico. A saída de um conselheiro técnico, portanto, não é apenas gesto pessoal, mas sinal de uma tensão que interessa a toda Europa: como preservamos a autoridade artística frente ao ruído da política?

O episódio seguirá sendo acompanhado por observadores da cena cultural e por quem entende que a governança dos espaços de cultura é, na prática, um índice de saúde democrática. No intricado roteiro da vida pública, a história da nomeação de Beatrice Venezi e da dimissão de Alessandro Tortato é, ao mesmo tempo, um movimento administrativo e um refrão sobre quem fala por nossos símbolos culturais.