GIP de Turim rejeita pedido de messa alla prova para John Elkann no caso da herança Agnelli

Juiz de Turim rejeita messa alla prova pedida por John Elkann no processo sobre a herança de Marella Agnelli; autos voltam à procura.

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GIP de Turim rejeita pedido de messa alla prova para John Elkann no caso da herança Agnelli

Decisão do juiz abre novo capítulo no processo contra o herdeiro dos Agnelli

O juiz das investigações preliminares do Tribunal de Turim, Giovanna De Maria, rejeitou a solicitação apresentada pela defesa de John Elkann para a concessão da messa alla prova no âmbito do inquérito sobre a herança de Marella Agnelli, falecida em 2019. A medida, aceita preliminarmente pela procura nos meses anteriores, teria levado à extinção do delito em apuração — uma alegada truffa ai danni dello Stato (fraude contra o Estado) — caso fosse executada.

Segundo a proposta defensiva, caso a messa alla prova fosse homologada, John Elkann teria de realizar atividades reparatórias, incluindo a realização de aulas em um instituto salesiano de Turim. A recusa do GIP interrompe, no entanto, essa via alternativa ao processo penal.

Com a decisão do juiz, os autos serão restituídos à procura, que deverá notificar um novo avviso di chiusura indagini (aviso de encerramento das investigações), depositar a documentação pertinente e, se entender cabível, formular pedido de abertura de processo contra os indiciados. A instrução ficará a cargo do procurador adjunto Marco Gianoglio, auxiliado pelos substitutos Mario Bendoni e Giulia Marchetti.

Espera-se que a decisão sobre eventual pedido de julgamento seja tomada por um novo juiz da audiência preliminar entre o final do verão e o início de setembro. O mesmo destino processual é previsto para o contabilista Gianluca Ferrero, cujo pedido de acordo (patteggiamento) já havia sido recusado pelo GIP em janeiro.

Especialistas e fontes judiciais apontam que a trama processual aumenta o risco de ocorrência de prescrição para os fatos imputados a Elkann e a outros indiciados — a prescrição, segundo cálculos dos autos, poderia se concretizar em agosto do próximo ano. As defesas, no entanto, afirmam que não trabalham com cálculos de prazo e que irão concentrar a atuação na contestação substancial das acusações.

Ao deixar o Palácio de Justiça, os advogados de John Elkann, Paolo Siniscalchi e Federico Cecconi, declararam: “Para nós não muda nada. Diante da fragmentação do quadro processual, já havíamos perdido interesse nesta iniciativa. Agora os autos retornam à procura. Se os magistrados decidirem prosseguir, mostraremos que John Elkann não praticou qualquer fato ilícito”.

Raio-x do caso

A investigação tem como pivô a sucessão de Marella Agnelli, mãe de Margherita e avó de John Elkann, e especialmente a questão da residência da falecida. Parte dos herdeiros havia declarado que Marella Agnelli residiu na Suíça entre 2010 e 2019; a denúncia apresentada por sua filha apontou, contudo, que ela morava em Turim, o que desencadeou diligências fiscais e patrimoniais.

Das apurações emergiram indícios de diversas irregularidades fiscais relativas à gestão do vasto patrimônio da família, tema também em disputa no processo civil em que Margherita busca uma fatia maior da herança. Além de John Elkann e Gianluca Ferrero, chegaram a ser investigados os irmãos Lapo e Ginevra Elkann, bem como o notário suíço Urs von Grüningen, autor dos testamentos de Marella Caracciolo; estes últimos foram posteriormente prosciolti (absolvidos). Outro notário, Remo Morone, também figurou entre os indiciados, conforme registros do processo.

Trata-se, em suma, de um capítulo adicional de um procedimento complexo e multifacetado, que combina elementos criminais e civis e que continuará a se desenrolar nos próximos meses com novas decisões e possíveis requisições de julgamento pela procura.

Apuração in loco e cruzamento de fontes indicam que a movimentação processual seguirá com atenção redobrada sobre prazos e atos formais, dado o impacto patrimonial e institucional do caso.