Operação 'Fraus ab oriente' desmonta esquema de contrabando têxtil em Prato; 7,8 milhões de metros apreendidos

Operação da Guardia di Finanza e EPPO desmonta esquema de contrabando têxtil em Prato; mais de 10 milhões de euros apreendidos.

Operação 'Fraus ab oriente' desmonta esquema de contrabando têxtil em Prato; 7,8 milhões de metros apreendidos

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Operação 'Fraus ab oriente' desmonta esquema de contrabando têxtil em Prato; 7,8 milhões de metros apreendidos

Por Giulliano Martini — A investigação internacional batizada Fraus ab oriente, coordenada pela Procura Europeia (EPPO) de Bolonha e executada pela Guardia di Finanza, revelou um esquema sistemático de contrabando no distrito têxtil de Prato. A operação expôs uma cadeia complexa de empresas de fachada, documentos falsificados e movimentação ilegal de mercadorias que abastecia o mercado de pronto-moda.

Ao contrário das investigações que miram chefes de conglomerados, o eixo do esquema era uma figura discreta: uma mulher de nacionalidade chinesa, residente em Prato, oficialmente registrada como funcionária de uma empresa do setor. As apurações, porém, apontam que ela exercia na prática a direção de um conjunto de sociedades do tipo "abrir e fechar" — usadas como instrumentos para alugar depósitos e simular triangulações comerciais.

Segundo o inquérito, a organização importava tecidos da China com documentação adulterada. Após a chegada em território italiano, a carga era "limpa" por meio de faturas supostamente emitidas por empresas polacas ou alemãs, muitas delas inexistentes ou inativas. Esse artifício servia para mascarar a origem real das mercadorias e fraudar o pagamento de direitos aduaneiros e IVA.

As investigações, iniciadas há mais de um ano e baseadas em seguimentos e monitoramento constante dos fluxos rodoviários, identificaram caminhões que convergiam para armazéns aparentemente vazios ou registrados em nome de terceiros alheios às operações. Já no outono de 2025, ações iniciais resultaram no sequestro de 2,3 milhões de metros de tecido e na apreensão de documentação contábil em residências e escritórios profissionais.

O esquema demonstrou, porém, alta resiliência operacional. Após as primeiras diligências, os investigados deslocaram a mercadoria para novos depósitos. Em um serviço de observação noturno, a Guardia di Finanza flagrou uma tentativa de transbordo e seguiu os caminhões até um novo galpão. A intervenção no momento do descarregamento permitiu vincular diretamente a carga à principal indiciada e comprovar que a logística ilícita continuava ativa.

O balanço final da operação é expressivo: foram apreendidos no total 7,8 milhões de metros lineares de tecido, avaliados em mais de 10 milhões de euros, além de mais de 237.000 peças de vestuário já confeccionadas — muitas com etiqueta da empresa "capogruppo".

Às autoridades europeias, a mulher e outros envolvidos respondem por crimes graves: contrabbando aggravato (contrabando agravado), frode fiscale (fraude fiscal), autoriciclaggio (autolavagem) e intestazione fittizia di beni (atribuição fictícia de bens). A perícia preliminar estima um prejuízo ao erário de cerca de 3,6 milhões de euros por falta de pagamento de direitos e IVA na importação, acrescido de mais de 4 milhões de euros em operações apoiadas por faturas falsas.

O caso expõe não apenas a dimensão econômica do ilícito, mas também a sofisticada arquitetura utilizada para integrá-lo ao mercado legítimo: rotas logísticas, estruturas societárias fungíveis e aparatos documentais destinados a dar aparência regular a fluxos ilícitos. As investigações prosseguem com exames contábeis e financeiros, visando identificar a extensão patrimonial do esquema e responsabilizar todos os elos envolvidos.

Apuração in loco, cruzamento de fontes e análise de documentos permanecem em curso. O desdobramento mais recente reitera a capacidade da fiscalização aduaneira e financeira de detectar operações complexas, protegendo tanto a receita pública quanto a concorrência leal no setor têxtil.