8 de março: 'Non una di meno' mobiliza 60 cidades e acende debate sobre desigualdade de gênero na Itália
Em 8 de março, 'Non una di meno' mobiliza 60 cidades na Itália e destaca lacunas na igualdade de gênero, emprego e salário.
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8 de março: 'Non una di meno' mobiliza 60 cidades e acende debate sobre desigualdade de gênero na Itália
8 de março e a sequência de mobilizações em toda a Itália expõem um contraste entre percepção pública e dados estruturais. Em movimento coordenado, o coletivo Non una di meno organizou ações em cerca de 60 praças no domingo, seguidas por um dia de greve nacional na segunda-feira, com adesão de sindicatos como Cobas e CGIL, atingindo setores como escola, transportes e saúde.
O cenário verificado pela apuração e pelo cruzamento de fontes revela avanços lentos. No Gender Equality Index 2025 do EIGE, a Itália obteve 61,9 pontos em 100, ocupando a 12ª posição na União Europeia — ganho relevante em relação a 2015, mas ainda aquém da média europeia (70,2).
Dados do ISTAT atualizados para 2024-2025 mostram uma realidade trabalhista desigual: a taxa de emprego das mulheres é de cerca de 52,5%, contra 70,4% dos homens. Um elemento crítico é o part-time involuntário, que afeta 8,6% das trabalhadoras, frente a 2,5% entre os homens, refletindo dificuldades de inserção e de estabilidade laboral.
No campo salarial, o gender pay gap no setor privado é estimado em 17% de média, mas aumenta com a progressão de carreira, superando 30% nos níveis apicais — efeito clássico do chamado "soffitto di cristallo" (teto de vidro). O desequilíbrio também está ligado à distribuição desigual do trabalho doméstico: as mulheres dedicam, em média, 4 horas e 37 minutos por dia a tarefas não remuneradas, enquanto os homens dedicam 1 hora e 48 minutos.
O quadro normativo registrou intervenções recentes para mitigar essas lacunas. Entre as medidas estão a Certificazione della Parità di Genere, que incentiva empresas a adotarem políticas de transparência em carreiras e salários com benefícios em contratos públicos; normas de transparência salarial, em conformidade com diretivas da UE, para companhias com mais de 150 empregados; e ações do PNRR destinadas a ampliar os serviços de educação infantil, com meta de cobertura de 50% para creches até 2026, visando facilitar o retorno ao trabalho das mães.
No combate à violência de gênero, houve reforço do Codice Rosso e a transposição da primeira diretiva europeia contra a violência contra as mulheres, em 2024, que ampliaram mecanismos de proteção e prevenção.
Em resposta a esses indicadores, as mobilizações programadas para 8 e 9 de março combinaram celebrações, protestos, sit-ins, marchas e até corridas solidárias. O movimento, sob o lema em italiano "le nostre vite valgono. Noi scioperiamo", reivindica políticas estruturais mais incisivas: igualdade salarial efetiva, medidas concretas de conciliação trabalho-família, serviços públicos de cuidado e proteção real contra a violência.
Da nossa apuração: as manifestações em 60 cidades funcionaram como um termômetro social — há uma percepção pública de progresso, mas os fatos brutos e os números mostram que as disparidades permanecem e exigem ações de longo prazo. O descompasso entre leis e implementação, e entre metas e ritmo de mudança, é o núcleo do problema.
Relatório final: o país evoluiu, porém em ritmo inferior aos pares europeus; as reformas em curso têm potencial, mas demandam fiscalizações, prazos e recursos para transformar legislação em resultados tangíveis. A conjuntura das próximas semanas será decisiva para avaliar se as exigências das ruas serão convertidas em políticas públicas mensuráveis.