8 de março: greve transfeminista é convocada pela 10ª vez; manifestações ocupam 60 cidades na Itália e mobilizações seguem na Espanha

DÉCIMO 8 de março: greve transfeminista mobiliza 60 cidades na Itália; dezenas de milhares marcham na Espanha por igualdade e contra a violência de gênero.

8 de março: greve transfeminista é convocada pela 10ª vez; manifestações ocupam 60 cidades na Itália e mobilizações seguem na Espanha

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8 de março: greve transfeminista é convocada pela 10ª vez; manifestações ocupam 60 cidades na Itália e mobilizações seguem na Espanha

O 8 de março deste ano marca a décima proclamação da greve transfeminista na Itália, com manifestações e cortejos organizados em ao menos 60 cidades. A mobilização, segundo as lideranças, insiste na reclamação central de que todo o trabalho — tanto o produtivo quanto o reprodutivo — exercido por mulheres e pessoas trans permanece estruturalmente não reconhecido e desvalorizado, empurrando muitas para uma condição laboral de precariedade.

Em Roma, durante o cortejo, Benedetta Rossi, da rede Non una di meno, afirmou em entrevista que "scioperiamo perché ancora ci troviamo a dover ribadire che tutto il lavoro... non viene assolutamente riconosciuto né valorizzato". Rossi destacou que a falta de reconhecimento do trabalho reprodutivo se traduz em contratos parciais e precários e em menor proteção social.

No ponto de partida do cortejo transfeminista romano, um grupo de aproximadamente dez pessoas favoráveis ao xá e a intervenções externas no Irã apareceu e permaneceu no local com bandeiras, despertando reações entre os manifestantes. As organizadoras de Non una di meno pediram calma e instruíram os participantes a se afastarem e a não responderem às provocações; o grupo permaneceu na praça, sem provocar confrontos maiores.

Paralelamente, a Espanha registrou hoje dezenas de milhares de pessoas nas ruas com palavras-de-ordem como "No alla guerra" e "Feminismo internazionalista contro la barbarie patriarcale". As marchas ocorreram em diversos pontos do país — entre eles Madrid, Barcelona, Valência, Sevilha, Granada, Bilbao, San Sebastián e Palma de Gran Canaria — com saída ao meio-dia nas principais capitais.

Em Madrid, pelo quinto ano consecutivo, duas marchas distintas cruzaram o centro: uma focada nos direitos das pessoas trans e outra debatendo a abolição e regulamentação da prostituição. Uma das passeatas, convocada pela Comissão 8 de Março, saiu de Plaza Atocha sob o lema "Femministe antifasciste", enquanto a iniciativa do Movimento Feminista de Madrid partiu de Plaza Cibeles. As estimativas divergem: a prefeitura contabilizou algo em torno de 50.000 participantes, enquanto os organizadores reclamam números superiores, chegando a 250.000.

Apesar das diferenças programáticas entre os cortejos, o roteiro reivindicatório foi comum: igualdade real, paridade salarial e o fim da violência de gênero, que segue tirando vidas. Segundo o Ministério da Igualdade espanhol, já são dez as vítimas fatais do ano, além de duas crianças, dados que as organizações usam para reforçar a urgência das medidas.

Em um episódio isolado, um grupo de homens encapuzados com passamontanhas rosados tentou obstruir a marcha violeta da Comissão 8 de Março, provocando apenas um curto confronto. Em Valladolid, a ministra da Igualdade, Ana Redondo, participou da mobilização e declarou que "o feminismo é pacifista" e alertou para o risco que a crescente violência representa para a conquista de direitos.

Apuração in loco, cruzamento de fontes das organizações, relatos das prefetture e dados oficiais do Ministério da Igualdade compõem o raio-x desta jornada. Amanhã, está confirmada a continuidade da mobilização com a realização da greve anunciada pelas redes transfeministas em toda a Itália, que promete testar a adesão e a repercussão das demandas no mercado de trabalho e nas políticas públicas.