Tanyka amnicola: descoberta de salamandra com mandíbula contorcida de 275 milhões de anos

Tanyka amnicola, salamandra com mandíbula contorcida encontrada no Brasil, revela traços primitivos que persistiram no Gondwana há 275 milhões de anos.

Tanyka amnicola: descoberta de salamandra com mandíbula contorcida de 275 milhões de anos

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GERADO EM: Mar 10, 2026 às 21:05

Tanyka amnicola: descoberta de salamandra com mandíbula contorcida de 275 milhões de anos

Pesquisadores do Field Museum de Chicago descobriram Tanyka amnicola, uma salamandra primitiva que viveu há cerca de 275 milhões de anos no supercontinente Gondwana. O achado, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, foi feito em leitos de rios secos no Brasil e apresenta mandíbulas contorcidas, desafiando a noção de características arcaicas persistentes. A interpretação morfológica sugere que Tanyka pertence a uma linhagem antiga que sobreviveu mais tempo do que o esperado. Estima-se que a salamandra pudesse alcançar até um metro de comprimento, habitando áreas próximas a lagos. Contudo, as mandíbulas encontradas isoladas dificultam a definição de sua associação a um esqueleto completo. Novas escavações são esperadas para complementar essa pesquisa.

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Por Riccardo Neri — Uma nova peça emergiu dos alicerces do tempo: pesquisadores do Field Museum de Chicago anunciaram a descoberta de Tanyka amnicola, uma espécie de salamandra primitiva com a mandíbula contorcida que viveu há cerca de 275 milhões de anos no supercontinente Gondwana. O achado, publicado na revista Proceedings of the Royal Society B, foi feito em leitos de rio secos no Brasil e desafia parte do entendimento sobre a persistência de características consideradas arcaicas.

Os fósseis consistem principalmente em mandíbulas isoladas — algumas muito bem preservadas — e foram identificadas oito peças com a mesma curvatura peculiar. Essa replicação descartou a hipótese inicial de que se trataria de uma deformação patológica: "Todas apresentam essa torsão, incluídas as melhor preservadas", afirma Jason Pardo, do Field Museum. Em linguagem direta de quem estuda arquitetura e sistemas, a mandíbula torcida é uma configuração estrutural estável no projeto morfológico do animal, não uma anomalia.

A interpretação morfológica sugere que Tanyka pertencia a uma linhagem antiga que, contrariamente ao esperado, sobreviveu por mais tempo do que a paleontologia previa. A equipe inclui paleontólogos internacionais e a reconstrução do aspecto do animal foi ilustrada por Vitor Silva, fornecendo um retrato provável: uma salamandra de aparência primitiva, talvez com o focinho alongado e dentes parcialmente inclinados para o lado.

Quanto ao tamanho, as estimativas apontam para indivíduos que poderiam alcançar até um metro de comprimento, o que os colocaria entre as formas maiores do grupo. O contexto sedimentar — camadas associadas a ambientes lacustres — indica que Tanyka amnicola provavelmente habitava margens de lagos ou corpos d'água interiores. Esse padrão ambiental reverbera como o sistema nervoso de uma cidade: as evidências tracejam onde o organismo circulava e interagia com o ecossistema.

Permanece, entretanto, uma lacuna importante no mosaico anatômico: as mandíbulas foram encontradas isoladas. "Até que não encontremos uma mandíbula articulada a um crânio ou a outros ossos definitivamente associados, não podemos afirmar qual resto ósseo nas proximidades pertence a Tanyka", explica Ken Angielczyk, também do Field Museum. Em termos de investigação, trata-se de reconstruir a infraestrutura de um organismo a partir de fragmentos do seu sistema de suporte.

Do ponto de vista biológico e paleoecológico, a descoberta é significativa porque evidencia camadas de diversidade que persistiram no Gondwana e porque fornece pistas sobre hábitos alimentares e morfologias alternativas — possivelmente adaptadas a uma dieta especial ou a comportamentos específicos de captura e processamento de alimento. A presença de dentes inclinados lateralmente e a curvatura mandibular podem ter função funcional na alimentação, algo que agora será objeto de estudo biomecânico e comparativo.

Em síntese, Tanyka amnicola é um lembrete de que a história da vida se organiza em redes complexas e que traços morfológicos considerados "primitivos" podem, na verdade, ser camadas funcionais resilientes do sistema evolutivo. A expectativa é que novas escavações no Brasil tragam peças articuladas que conectem essas mandíbulas ao esqueleto, completando o painel e solidificando a colocação filogenética dessa salamandra curiosa.

Fonte: Field Museum / Proceedings of the Royal Society B (compilado a partir do anúncio do estudo)