Ig Nobel deixam os Estados Unidos e vão para Zurigo por dificuldades com vistos

Por dificuldades com vistos, os Ig Nobel deixam os EUA pela 1ª vez em 30 anos e realizam a 36ª edição em Zurigo, com apoio do ETH Domain.

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Ig Nobel deixam os Estados Unidos e vão para Zurigo por dificuldades com vistos

Por mais de três décadas a cerimônia dos Ig Nobel era um marco fixo no calendário da área de Boston. Em 2026, porém, a 36ª edição dará um salto geográfico e institucional: pela primeira vez em mais de 30 anos o prêmio satírico será realizado em Zurigo, na Suíça. A mudança foi anunciada pelos organizadores da revista Annals of Improbable Research e responde a um problema logístico e político que tornou o país de acolhida pouco viável para muitos participantes.

Segundo Marc Abrahams, diretor da revista e mestre de cerimônias histórico dos Ig Nobel, “neste último ano tornou-se arriscado para os nossos convidados visitar o país”. Em entrevista por email à Associated Press, Abrahams explicou que a incerteza no processo de entrada nos Estados Unidos impossibilita, em consciência, pedir que vencedores e jornalistas internacionais viajem para a premiação.

O pano de fundo dessa decisão é uma política migratória mais restritiva da administração do presidente Donald Trump, que incluiu endurecimento de deportações e controles mais rigorosos sobre titulares de vistos de estudante e programas de intercâmbio. Para uma cerimônia cujo público e premiados chegam de múltiplos continentes, essas barreiras são comparáveis a um nó na infraestrutura de mobilidade científica: o fluxo de pessoas — o “sistema nervoso” da conferência — ficou comprometido.

Ao longo de 35 anos os laureados dos Ig Nobel sempre viajaram aos Estados Unidos para receber o prêmio pessoalmente. A cerimônia, famosa pelo tom irônico e por rituais excêntricos — como o momento em que o público lança aviõezinhos de papel sobre o palco — já ocorreu em instituições como Harvard, o MIT e a Boston University. Mesmo assim, sinais de dificuldade já apareceram: quatro dos dez vencedores do ano anterior abriram mão de ir a Boston para a premiação.

Em 2026 a cerimônia será acolhida em Zurigo graças à parceria com o ETH Domain — o sistema ligado ao Politécnico Federal Suíço — e com a Universidade de Zurigo. Abrahams saudou o movimento com a ironia habitual: a Suíça, observou, tem contribuído com “coisas surpreendentemente positivas” e agora ajuda o mundo a reconhecer “pessoas e ideias improváveis”.

Os Ig Nobel premiam anualmente dez estudos que, à primeira vista, podem parecer bizarros ou divertidos, mas que frequentemente escondem insights científicos relevantes. O deslocamento da cerimônia para Zurigo é mais que um ajuste logístico: revela como as camadas de política migratória e controle de fronteiras se tornam parte da arquitetura que sustenta eventos científicos internacionais. Em termos de infraestrutura cultural, trata-se de realinhar alicerces digitais e físicos para garantir que o fluxo de conhecimento — e de pessoas — não seja interrompido.

Tradicionalmente a cerimônia ocorre em setembro, algumas semanas antes do anúncio dos Prêmios Nobel “sérios”. A extraordinária mudança do local em 2026 é um lembrete prático: a ciência e seus ritos dependem tanto de corredores de mobilidade quanto de redes de financiamento e instituições anfitriãs. Quando um desses elementos falha, a rede precisa ser reroteada. Para os organizadores, a escolha de Zurigo é uma solução técnica e simbólica que preserva a natureza internacional do prêmio.