No dia de Natal, um caçador foi denunciado pelos Carabinieri Forestali de Comacchio (província de Ferrara) após ser flagrado com uma sequência de irregularidades durante uma ronda preventiva. A operação, realizada enquanto os militares fiscalizavam áreas hidráulicas no contexto da recente emergência meteorológica, resultou no sequestro de material e na autuação do homem por caça irregular e uso de meios proibidos.
Durante a patrulha, os agentes notaram dois veículos estacionados nas imediações da Oasi di Boscoforte delle Valli. Ao se aproximarem para checar a situação, encontraram duas pessoas manuseando sacos no porta-malas. Em um dos carros foram achados 30 exemplares de marreca-comum abatidos — número superior ao limite legal de dez aves por dia.
Além do excesso de capturas, a revista revelou elementos que configuram infração ambiental mais grave: aproximadamente 150 cartuchos contendo munição de chumbo, proibida em zonas úmidas devido ao seu alto poder de contaminação; um aparelho de chamada acústica ilegal com bateria; e vários exemplares de germano-real mantidos como chamadas vivas sem o anel identificador exigido por lei.
O uso de projéteis de chumbo em ambientes aquáticos preocupa autoridades ambientais porque o metal disperso contamina sedimentos e organismos. A ingestão de pequenas esferas de chumbo por aves aquáticas é responsável por intoxicações diretas e por contaminação em cadeia: predadores que consomem aves envenenadas também podem ser afetados. Estudos europeus apontam que o chumbo disperso por cartuchos de caça mata milhões de aves a cada ano, o que reforça o caráter agravante da infração.
Foram então apreendidos os 30 exemplares abatidos, a arma (segundo os registros, de posse regular do indivíduo), a munição e o equipamento de chamada acústica. O caçador foi formalmente denunciado por “esercizio venatorio con mezzi non consentiti” — exercício de caça com meios não permitidos — e recebeu multas administrativas que totalizaram 700 euros.
Fontes oficiais informaram que o homem já constava em bancos de dados das forças de segurança por práticas anteriores. A ação dos Carabinieri Forestali, iniciada durante atividades de vigilância hidráulica ligadas à emergência climática, evidencia o cruzamento de atribuições e a capacidade de fiscalização mesmo em períodos de atenção a riscos naturais.
O episódio chama atenção para dois vetores de impacto ambiental: a prática de caça além das cotas legais e a utilização de materiais proibidos que contaminam ecossistemas sensíveis. A repressão a essas condutas segue sendo prioridade para proteger espécies e preservar a qualidade dos ambientes úmidos, especialmente em áreas protegidas ou de alto valor ecológico.

















