Timida, uma cachorrinha de 14 anos, foi amarrada aos trilhos e morta por um trem em Siracusa no último abril. A história, acompanhada por associações de proteção animal e que ganhou repercussão nacional, pode ter acabado de ganhar uma virada decisiva: um homem teria confessado ter cumprido ordem de um advogado local para remover os animais de uma colônia onde viviam cães e gatos há cerca de 12 anos.
O relato foi divulgado pelas associações Leal e Balzoo, que conduziram a apuração e acompanharam o caso desde os primeiros passos. Segundo essas organizações, além de Timida havia outro cão na mesma colônia, chamado Tommy, que sobreviveu ao ataque porque conseguiu fugir e foi posteriormente adotado por uma família.
De acordo com a confissão então prestada por um pedreiro da região, ele teria sido procurado por um advogado da localidade para “resolver” a presença dos animais que conviviam perto do Lido Sacramento. O confesso afirmou ter recorrido a dois executores materiais — cujos nomes, segundo as associações, já teriam sido indicados aos magistrados durante depoimento.
As associações detalharam que, na ação de 15 de abril, a colônia felina foi inteiramente destruída, casinhas foram jogadas ao mar e Timida acabou sendo atada aos trilhos, onde foi atingida por um trem em trânsito, sem que o maquinista percebesse o ocorrido. A violência sobre o local provocou comoção e levou as entidades a pedir empenho das autoridades na apuração e responsabilização dos envolvidos.
Como consequência do caso, no final de novembro houve desdobramentos judiciais que culminaram no renvio a julgamento de três pessoas, em um processo que a imprensa local acompanha de perto. Leal já solicitou ao Município a liberação do corpo de Timida para que fosse realizada autópsia veterinária, com o objetivo de detectar eventuais outras lesões ou indícios de crime.
Enquanto tramita a investigação, moradores e ativistas também reagiram extraoficialmente: cartazes com fotos e nomes dos supostos mandantes e executores foram afixados no local do crime, segundo as mesmas fontes. As associações afirmam que seguirão pressionando por esclarecimentos e por justiça, sem substituir, porém, o trabalho do Ministério Público e das forças policiais.
Esta reportagem segue a linha da apuração in loco e do cruzamento de fontes: os elementos agora divulgados — a confissão do pedreiro, a identificação de dois executores e o indiciamento de três pessoas — precisam ser confirmados em sede judicial. A investigação formal é a instância onde essas alegações serão confrontadas com provas técnicas e depoimentos, e onde será possível estabelecer responsabilidades penais.
O caso de Timida permanece como um exemplo emblemático do maltrato animal que persiste em diversas comunidades: fatos brutos, vítimas indefesas e o desafio das instituições em oferecer uma resposta rápida e eficaz. A La Via Italia continuará acompanhando o processo, reportando os desdobramentos judiciais e documentando as medidas tomadas pelas autoridades.






















