Chiara Lombardi para La Via Italia — Em um gesto que mistura paternidade, curiosidade cultural e a reverência pelo rito do fã, Jovanotti foi às ruas de Paris acompanhado da filha Teresa e se encontrou na longa fila montada para ouvir em primeira mão o novo single de Harry Styles. O vídeo publicado pelo cantor italiano, em modo quase “babbo-reporter”, virou um microdocumentário sobre a cerimônia contemporânea do culto pop: filas que contornam quarteirões, fones de ouvido como altares e a expectativa coletiva como trilha sonora.
No registro, Jovanotti ri e comenta, com a reverência de quem conhece ambas as margens do palco: “Il fansismo non si discute” — traduzido livremente, “o fansismo não se discute”. Ele confessa que talvez não tivesse pensado em fazer “oito horas de fila” só para ouvir um trecho em fone de ouvido, especialmente de algo que será lançado oficialmente dias depois, mas assume o gesto como uma forma de reciprocidade. “Sou cantor e sei o que significa alguém ficar horas na minha frente por uma canção”, diz, e por isso aceita entrar no ritual em homenagem ao “velho Harry”.
A narrativa ganha uma camada de acaso: Teresa já havia feito o pré‑pedido do vinil e descobriu, quase por acaso, que havia naquela manhã um evento especial para audição do inédito. “Viemos de férias e, por acaso, estamos aqui”, relata Jovanotti, caminhando enquanto o vídeo captura a paciência e a energia das filas juvenis — um retrato do que chamo de espelho do nosso tempo, onde a cultura pop se transforma em evento comunitário.
O single em questão, “Aperture”, teve lançamento digital e em rádio previsto para sexta‑feira, 23 de janeiro. Trata‑se do primeiro avanço do aguardado quarto álbum de estúdio de Harry Styles, Kiss All The Time. Disco, Occasionally, com estreia marcada para 6 de março. O disco, produzido executivamente por Kid Harpoon, conta com 12 faixas inéditas e já está disponível para pré‑venda em CD e LP standard.
Mais do que um encontro casual de celebridades, a cena devolve ao observador algumas perguntas sobre identidade e rituais: por que nos movimentamos em massa para ouvir uma música antes de todos? Qual é o roteiro oculto que transforma a escuta em experiência coletiva? A insistência de Jovanotti em não julgar o fansismo é um lembrete sofisticado de que o entretenimento funciona como uma memória compartilhada — um eco cultural que, por vezes, exige o sacrifício da espera.
Em termos práticos, o episódio também mostra o mercado contemporâneo: o poder do pré‑pedido do vinil como motor de eventos, o status de artista‑marca de nomes como Harry Styles e a maneira como figuras de outras gerações — como Jovanotti — entram, sem cerimônias, no presente palpitante do pop. É uma cena que mistura afeto familiar e sociabilidade midiática, e que nos convida a olhar além da fila: para o que ela representa no cenário de transformação da cultura musical global.






















