Presença feminina nas renováveis atinge 35%: avanço com desafios para liderança e igualdade
Estudo com ~600 empresas mostra 35% de mulheres nas renováveis; avanços em inclusão e lacunas em liderança e remuneração.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Presença feminina nas renováveis atinge 35%: avanço com desafios para liderança e igualdade
Por Aurora Bellini — Em um setor que promete iluminar o futuro, a presença feminina nas energias renováveis desenha um panorama de avanços e sombras. Uma investigação realizada junto a cerca de 600 empresas do setor de renováveis e fotovoltaico — conduzida por Italia Solare e Key - The Energy Transition Expo, com o apoio da Excellera Intelligence — revela que as mulheres representam, em média, 35% do quadro de funcionários. Esse número é um raio de luz, mas também evidencia caminhos que ainda precisam ser desbravados para alcançar um horizonte límpido de igualdade.
Os dados mostram que apenas 28% das mulheres atuam na área técnica, enquanto 72% ocupam outras funções dentro das companhias, com forte presença na área administrativa (27%). No topo da organização, o reflexo da desigualdade é mais marcado: 67% das empresas afirmam ter ao menos uma mulher em posições de comando, mas 33% ainda não têm representação feminina nesses cargos. Quando olhamos para os postos executivos mais altos, a participação feminina se estreita: somente 1 em cada 10 empresas declara ter uma mulher como CEO, diretor-geral ou administradora única, e apenas 4% reportam mulheres nos cargos de presidente ou vice-presidente.
Há uma percepção positiva sobre o ambiente: 89% dos entrevistados avaliam o setor como inclusivo e respeitoso com as mulheres — um sinal alentador que ajuda a atrair talentos e semear inovação. No entanto, essa luz não elimina as nuanças. Quase metade das mulheres (48%) relata ter presenciado episódios relacionados a disparidade de gênero ao longo de sua trajetória profissional, tanto dentro das empresas quanto em eventos e reuniões. Os relatos concentram-se em delegitimização técnica e profissional, uso de linguagem não inclusiva, diferenças na atribuição de responsabilidades e disparidades nos tratamentos econômicos.
O levantamento também destaca um claro desalinhamento de percepções entre homens e mulheres sobre as oportunidades no setor: aproximadamente 67% dos homens creem que há igualdade de oportunidades de carreira entre os gêneros, contra apenas 41% das mulheres que compartilham essa visão. A divergência é ainda mais forte no tema da remuneração: 65% dos homens consideram os salários equilibrados entre gêneros, frente a apenas 28% das mulheres.
Do lado das práticas corporativas, o setor demonstra progressos: 78% dos respondentes apontam a existência de políticas voltadas ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal — um terreno fértil para cultivar retenção de talento e bem-estar. Exemplos mencionados pelas empresas incluem regimes de trabalho flexível, possibilidades de teletrabalho e políticas de licença que buscam tornar o ambiente mais acolhedor para diferentes fases da vida profissional e familiar.
Em suma, o setor de renováveis revela-se um lugar onde a energia da transformação encontra um terreno promissor, mas onde ainda é necessário iluminar os caminhos da liderança feminina e da equidade salarial e de oportunidades. A jornada exige ações concretas: programas de desenvolvimento técnico para mulheres, planos de carreira transparentes, medidas de combate à delegitimização e linguagens inclusivas. Só assim será possível tecer laços sociais mais fortes e cultivar um legado sustentável e justo.
Enquanto celebramos os sinais positivos, é preciso manter a lâmpada acesa sobre as desigualdades remanescentes. Há luz suficiente para seguir, mas a meta é clara: transformar a presença de 35% em paridade efetiva, com lideranças femininas que reflitam a diversidade e a justiça que o setor de renováveis propõe ao mundo.