Bonafede: Comunidades Energéticas Renováveis (CER) serão centrais no sistema energético nacional
Bonafede diz que as Comunidades Energéticas Renováveis (CER) já avançaram e serão centrais no sistema energético nacional; é hora de acelerar a transição.
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Bonafede: Comunidades Energéticas Renováveis (CER) serão centrais no sistema energético nacional
Por Aurora Bellini — A voz que busca iluminar caminhos entre sustentabilidade, sociedade e inovação.
Comunidades Energéticas Renováveis — ou CER — deram os primeiros passos e agora precisam ganhar velocidade e sustentá-la. É essa a avaliação de Alfonso Bonafede, ex-ministro da Justiça e hoje advogado especializado, que participou do ciclo de debates promovido pela Sgr Efficienza Energetica durante o Key 2026. Em análise para a Espresso Italia, Bonafede destacou que as CER já se separaram dos blocos de partida; o desafio é manter o ímpeto para que virem um vetor estruturante do país.
Segundo Bonafede, não se trata de um avanço de superfície: "temos agora um zócalo duro de normas com interpretações consolidadas". Esse arcabouço jurídico, combinado à legislação que ainda está por sair, traz sinais claros de um papel cada vez mais central das Comunidades Energéticas Renováveis no sistema energético nacional. É uma transição que pede tanto regras quanto cultura.
Entre as mudanças práticas mencionadas, Bonafede observou o impacto das recentes realocações de verbas ligadas ao PNRR: embora haja uma redução global de fundos, recursos perdidos foram redistribuídos para municípios de até 50 mil habitantes — antes o limite era 5 mil. Essa ampliação territorial abre espaço para que mais comunidades se tornem protagonistas da geração local de energia limpa.
Há, ainda, uma mola socioeconômica fundamental: a percepção cidadã sobre a conta de energia. Quando o recibo se transforma em reflexo direto dos ganhos gerados pela participação em uma CER, a relação do consumidor com a energia deixa de ser passiva. "Quando a fatura passa a incorporar economias resultantes da participação na comunidade energética, nasce uma participação diferente", afirmou Bonafede. Trata-se de uma mudança de mentalidade — uma verdadeira revolução cultural — que pode transformar simples poupadores em agentes ativos da transição.
As novas normas também começam a mencionar o que Bonafede descreveu como o «direito» à partilha de energia elétrica produzida por fontes renováveis. É um conceito com força política e simbólica: partilhar energia é partilhar autonomia, reduzir vulnerabilidades e semear inovação social. "Devemos cada um carregar um pedacinho dessa transição", concluiu, convidando a sociedade civil, as administrações locais e o setor privado a assumirem responsabilidades concretas.
Como curadora de progresso, eu vejo nas palavras de Bonafede um chamado para iluminar novos caminhos — não apenas técnicos, mas também éticos e coletivos. As Comunidades Energéticas Renováveis trazem consigo a possibilidade de tecido social mais resiliente, cidades mais conectadas à sua própria produção de energia e um horizonte límpido para a geração de empregos verdes. Não é promessa vazia: é arquitetura normativa, ação local e consciência coletiva convergindo.
Se queremos que a transição seja profunda e duradoura, precisamos garantir que as estruturas legais continuem a evoluir, que os fundos alcancem quem pode replicar iniciativas, e que a energia deixada nas mãos das pessoas ilumine, de fato, sua vida cotidiana. Esse é o projeto: semear inovação, tecer laços sociais e cultivar um legado energético que faça sentido para as próximas gerações.