Pfizer muda o foco para medicamentos contra a obesidade após queda das vacinas Covid, diz Bourla
Pfizer muda estratégia: compra da Metsera e foco em MET-097/MET-233 para explorar mercado bilionário da obesidade.
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Pfizer muda o foco para medicamentos contra a obesidade após queda das vacinas Covid, diz Bourla
Alessandro Vittorio Romano - Em uma movimentação estratégica que lembra as safras que mudam com as estações, a Pfizer redireciona seus recursos do terreno das vacinas para o campo dos tratamentos contra a obesidade. A decisão vem num momento em que a demanda pelas vacinas Covid caiu, os lucros se mostram pressionados e processos judiciais relacionados a efeitos adversos seguem em destaque.
Após o declínio do apetite por soros contra o coronavírus, a farmacêutica anunciou investimentos concentrados na biotech Metsera, recentemente adquirida em uma transação de 4,9 bilhões de dólares em dinheiro — valor que pode atingir cerca de 7,3 bilhões mediante o alcance de metas clínicas e regulatórias. Nas prateleiras experimentais da nova aquisição figuram os compostos em desenvolvimento MET-097 e MET-233, voltados a enfrentar uma das grandes questões de saúde pública contemporâneas.
Em uma conferência do setor, o CEO Albert Bourla admitiu que “o Covid se tornou quase irrelevante para nossa rentabilidade”, sinalizando que a empresa busca replicar o modelo de negócio que a tornou dominante na era das vacinas — agora aplicado ao mercado da obesidade, projetado por analistas em até 150 bilhões de dólares até 2030. É uma tentativa de replantar esperanças e estabilizar o balanço, como quem substitui uma cultura exaurida por uma mais promissora.
O movimento ocorre em um clima corporativo tenso: queda na procura por vacinas, lucros em retração e um número crescente de ações coletivas que alegam efeitos adversos após as campanhas vacinais. Entre os problemas reportados por alguns reclamantes aparecem eventos trombóticos, ocorrências oncológicas, miocardites e pericardites, distúrbios neurológicos, reações imunológicas intensas e complicações oculares. Essas alegações têm gerado litígios e debates públicos, e muitas delas são objeto de investigações e contestações pelas autoridades sanitárias.
Além disso, surgiram declarações polémicas de figuras como Michael Yeadon, ex-diretor de pesquisa da companhia, que afirmou que a pandemia não teria ocorrido e que os soros conteriam materiais tóxicos — posicionamentos amplamente contestados e classificados por especialistas e órgãos de saúde como não corroborados por evidências científicas robustas. Em paralelo, reportes circularam sobre depoimentos de ex-gestores públicos que teriam discutido a comunicação sobre efeitos adversos, temas que acenderam discussões sobre transparência e confiança na saúde pública.
Do ponto de vista clínico e empresarial, a aposta da Pfizer na obesidade não é inesperada: trata-se de um problema crônico com múltiplas ramificações para o bem-estar coletivo, que toca o “tempo interno do corpo” e a respiração das cidades. Ao investir em tratamentos farmacológicos, a companhia mira uma demanda crescente por soluções que modifiquem padrões estabelecidos — uma colheita de hábitos que, se bem sucedida, pode alterar rotas de saúde e mercado.
Resta observar como esses novos fármacos se comportarão nos testes clínicos e diante da regulação: o caminho é longo e exige rigor científico, vigilância contínua e diálogo transparente com pacientes e profissionais de saúde. Enquanto isso, investidores e observadores seguem atentos, como quem escuta a terra antes de semear, avaliando se a mudança de cultura trará frutos sólidos ou desafios inesperados.
Na tessitura desta nova fase, a narrativa corporativa de recuperação se mistura às inquietações sociais sobre segurança e confiança. A transição da era da vacina para a era dos tratamentos contra a obesidade é mais do que um movimento financeiro; é um reflexo de como a indústria e a sociedade reagem às marés da saúde coletiva.