Aisla: Terceiro setor é infraestrutura do país, não mera suplência do welfare

Pina Esposito defende no Senado que o Terceiro setor é infraestrutura do país, promovendo cuidado, inovação social e políticas públicas inclusivas.

Aisla: Terceiro setor é infraestrutura do país, não mera suplência do welfare

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Aisla: Terceiro setor é infraestrutura do país, não mera suplência do welfare

Por Alessandro Vittorio Romano — No plenário do Senado, durante o encontro "Oltre le appartenenze", Pina Esposito, secretária nacional da Aisla (Associação Italiana Esclerose Lateral Amiotrófica), trouxe uma mensagem que retoma raízes profundas no cuidado coletivo: o Terceiro setor não é apenas um amparo onde o Estado falha; é uma infraestrutura civil que molda o presente e o futuro do país.

Esposito lembrou que, ao falar do Terceiro setor, frequentemente usamos termos técnicos — serviços, voluntariado, welfare —, mas, acima de tudo, a palavra que melhor o define é cuidado. Cuidado das pessoas quando a vida se torna frágil e cuidado das relações quando o tecido social corre o risco de se fragmentar. É uma imagem que evoca a respiração lenta de uma cidade em manhãs de outono: quem cuida garante que a cidade continue viva e conectada.

Com uma sensibilidade prática e poética, Esposito sublinhou que as experiências da Aisla, nascidas ao lado de pessoas com esclerose lateral amiotrófica, demonstram que o Terceiro setor não atua apenas nos vazios deixados pelo Estado. Ao contrário, ele participa ativamente da construção de modelos de presa in carico (tomada em carga), promove inovação social e contribui para a formulação de políticas públicas mais humanas. Esse papel transformador coloca o Terceiro setor no centro da democracia: «É um dos lugares em que a democracia se torna concreta», afirmou Esposito.

Na percepção de quem observa o cotidiano com o olhar atento de quem vive a Itália como experiência sensorial, o trabalho do Terceiro setor é semelhante a uma agricultura cuidadosa. Não se trata apenas de plantar onde o solo está vazío, mas de cultivar práticas, semear relações, colher inclusão. Um welfare forte não pode ser assistencialista se deseja florescer: precisa ser dinâmico e moderno, capaz de garantir a máxima inclusão sem perder a capacidade de se renovar.

Essa linguagem, entre técnica e humana, revela outra faceta importante: o Terceiro setor opera como uma ponte entre o público e o privado, traduzindo necessidades individuais em propostas coletivas. Projetos como os desenvolvidos por Aisla mostram que a inovação nas formas de cuidado nasce da convivência com a fragilidade — uma espécie de destrinchar das estações internas do corpo e da cidade, onde cada intervenção é ajuste fino ao tempo e ao ritmo das vidas que atende.

Ao reafirmar que o Terceiro setor não é um anexo do welfare mas parte integrante de sua arquitetura, Esposito convida a sociedade e os decisores a repensar prioridades: investir em redes, reconhecer experiências de base e promover políticas que transformem iniciativas locais em infraestrutura nacional. É um chamado para que o país trate o cuidado como um bem comum, regenerando a paisagem social e fortalecendo a respiração coletiva.

Em suma, a intervenção no Senado foi um lembrete — delicado e firme — de que a cura e a atenção são o solo onde germinam laços democráticos e futuras políticas públicas mais justas.