Ahmad Kiarostami apresenta filmografia do pai em tributo do Bergamo Film Meeting a Abbas Kiarostami

Ahmad Kiarostami apresenta a filmografia do pai no Bergamo Film Meeting: homenagem com 12 obras, incluindo 'Close-Up' e 'Il vento ci porterà via'.

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Ahmad Kiarostami apresenta filmografia do pai em tributo do Bergamo Film Meeting a Abbas Kiarostami

Por Giulliano Martini — Apuração e verificação em Bergamo. O Bergamo Film Meeting dedica um tributo amplo à obra de Abbas Kiarostami, e a programação — composta por 12 títulos selecionados — foi apresentada ao público por seu filho, Ahmad Kiarostami. A homenagem revisita a filmografia de um dos nomes centrais do cinema iraniano, apagado em 2016, mas cuja obra segue viva nas salas e nas discussões críticas.

Em conversa com a organização do festival, Ahmad deixou claro que fala “com a minha voz” e não pretende emular declarações atribuíveis ao pai. Residente nos Estados Unidos há 25 anos, Ahmad participou da sessão e preferiu tratar os filmes como veículos de linguagem e memória: “meu pai não fazia filmes para um público específico; ele os fazia para dizer algo que sentia ser necessário”, disse.

Do programa, destacam-se duas exibições centrais: Il vento ci porterà via (o filme premiado com o Leone d’argento em Veneza) será projetado no domingo, às 9h, no Auditório; já Close-Up tem sessão marcada para domingo, às 17h15, na Sala dell’Orologio. A escolha dos títulos confirma a intenção do festival de mapear as várias fases e procedimentos estéticos do cineasta.

Na sua intervenção, Ahmad recordou o percurso europeu do pai e a relação especial com a França, mas ressaltou que o primeiro reconhecimento internacional mais significativo de Abbas veio na Suíça: o Festival de Locarno, onde Where Is the Friend's House? (Dov’è la casa del mio amico?) ganhou atenção decisiva para a carreira do diretor. Também mencionou as conexões com o cinema italiano, lembrando as duas obras filmadas em solo italiano — Copie conforme (Copia conforme), com Juliette Binoche, e Tickets, coassinato por Ermanno Olmi e Ken Loach — como sinais de colaboração e diálogo com a Europa.

Ao tratar do contexto iraniano, Ahmad evitou leituras diretas sobre a atual conjuntura belicosa, afirmando que há 25 anos não vive no Irã e, portanto, perdeu o pulso cotidiano das mudanças sociais e políticas. Rememorou, no entanto, a juventude durante a guerra Irã-Iraque, quando participar de cinefóruns se tornava “um modo de respirar, de sobreviver”. Citou ainda Andrei Tarkovski como referência daqueles encontros de jovens espectadores que buscavam sentidos em obras de difícil fruição para o grande público.

O tom da apresentação foi de quem zela pela memória artística e, simultaneamente, protege a autonomia interpretativa das obras. Ahmad reiterou que o legado de Abbas Kiarostami não se esgota em prêmios ou rótulos estilísticos: “ele simplesmente fazia os seus filmes”, explicou, resumindo a postura criativa que atravessa toda a filmografia do diretor iraniano.

Registro final: a mostra do Bergamo Film Meeting propõe um recorte que privilegia a observação atenta das obras, sem reduzi-las a símbolos. Para quem acompanha o cinema de Kiarostami, as sessões deste domingo constituem oportunidade para reencontros e novas leituras.