Gratteri nega intenção de ameaçar jornalista e reclama ataques diários da imprensa
Gratteri nega ter ameaçado jornalista, afirma ser alvo de ataques diários e critica reforma que limita o trabalho da imprensa. Declarações durante entrevista na Sky.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Gratteri nega intenção de ameaçar jornalista e reclama ataques diários da imprensa
O procurador de Catânia em Nápoles, Nicola Gratteri, afirmou que não pretendia ameaçar a jornalista do Il Foglio durante entrevista e atribuiu o episódio a um contexto de ataques contínuos de parte da imprensa. Em entrevista ao programa Start, da Sky, Gratteri disse querer deixar claro seu respeito pelo jornalismo e criticou reformas que, segundo ele, atrapalham o trabalho dos repórteres, especialmente os que cobrem a crônica policial.
"Não era minha intenção ameaçar ninguém; quem me conhece sabe quanto estimo e considero o jornalismo", declarou Gratteri. O procurador apontou ainda que uma das reformas recentes do governo impede que jornalistas citem trechos de decisões de custódia cautelar, medida que, em sua visão, enfraquece a preservação do pensamento do magistrado e prejudica a clareza das coberturas.
Gratteri relatou que, há meses, sofre "ataques sistemáticos" pela manhã em diversos jornais, com publicações que contêm informações falsas, total ou parcialmente. "Depois do referendo, vamos fazer uma linha. Agora estou empenhado em ser procurador da República de Nápoles e, inclusive, usando dias de férias para percorrer cidades e falar pelo 'Não'", afirmou. O magistrado disse que, após o plebiscito, decidirá que medidas adotar contra matérias que considera difamatórias.
No centro do posicionamento de Gratteri está a discussão sobre o referendo que propõe separar as carreiras do ministério público e da magistratura. Ele descreveu dois pilares em choque: a ideia de retirar o procurador da cultura da jurisdição e a comparação frequentemente usada pelos defensores do "Sim", que equiparam juiz e procurador às equipes de uma partida de futebol, com um árbitro no meio.
"Esse exemplo da partida de futebol não funciona", disse Gratteri, explicando que as duas 'equipes' não jogam sob as mesmas regras. Para ele, o ministério público tem o dever de buscar elementos até a prova, inclusive pedindo arquivamentos quando não há elementos suficientes — processo que, segundo ele, representa cerca de 80% do trabalho nas procuradorias. Se o procurador for reduzido a mero porta-voz da polícia judiciária, argumenta, a função se desvirtua.
Gratteri criticou ainda quem toma modelos judiciais de outros países, mencionando os Estados Unidos. Ele recordou casos extremos, como uma execução e a aparente falta de processo ao responsável, para questionar se os EUA devem ser tomados como parâmetro. "Da anos digo que teria medo de viver nos EUA, porque conheço esse sistema judicial", afirmou.
Como repórter que busca ser ponte entre as decisões de Roma e seu impacto na vida dos cidadãos, destaco que as observações de Gratteri tocam o núcleo da arquitetura do voto e da construção de direitos. A discussão sobre a separação das carreiras não é apenas técnica: redefine os alicerces da atuação ministerial e altera a relação entre investigação, imprensa e garantia de direitos.
Gratteri prometeu medidas contra o que considera difamação depois do referendo, enquanto continua atuando em Nápoles e participando do debate público pelo "Não". Em vez de retóricas, o caso exige que as instituições e a imprensa reconstruam uma ponte de confiança: é obrigação de todos preservar o direito à informação sem que isso amplifique desinformação ou ameace a integridade de magistrados.