Minniti alerta risco de ataques do Irã à Itália e defende uso do Copasir como resposta nacional

Minniti alerta para risco de ataques do Irã à Itália e pede atuação do Copasir e do país como sistema para proteger segurança nacional.

Minniti alerta risco de ataques do Irã à Itália e defende uso do Copasir como resposta nacional

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Minniti alerta risco de ataques do Irã à Itália e defende uso do Copasir como resposta nacional

Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — O ex-ministro do Interior Marco Minniti acendeu um sinal de alerta sobre o potencial de ataques terroristas direcionados à Itália no contexto do confronto prolongado envolvendo o Irã. Em entrevista a Il Mattino, Minniti descreveu os cenários que, segundo ele, exigem uma resposta coordenada do Estado: ação de indivíduos radicalizados e a possível ativação de células já enraizadas no exterior.

Segundo o ex-ministro e presidente da Fundação Med-Or, na estratégia de desgaste — a chamada "guerra de atrito" — o Irã dispõe de instrumentos assimétricos. O primeiro deles é a operação de sobressalto por meio de lobos solitários que, radicalizados na internet, podem se autoativar sem ordens diretas de Teerã. O segundo é a utilização de células dormentes, ligadas estruturalmente aos pasdaran, que teriam criado uma rede de presença internacional que extrapola o chamado eixo da resistência (incluindo grupos como Hamas, Houthi e Hezbollah).

Minniti sublinha que, diante desse quadro, a Itália precisa agir como um verdadeiro sistema Paese, unindo instituições e sociedade civil para reforçar a proteção dos alicerces da lei e da convivência. "Não é um tema de debate partidário; é questão de segurança nacional", afirmou, no tom pragmático que marca sua trajetória.

Além da ameaça física, o ex-ministro apontou outros vetores de risco: a desinformação e os ciberataques. Ele citou a atuação de plataformas como a que ficou conhecida como Charming Kitten — identificada por um símbolo de um gatinho preto — e que tem sido associada a campanhas para minar a opinião pública, incluindo tentativas recentes de explorar material como os chamados "Epstein Files" para desestabilizar narrativas no exterior.

Na avaliação de Minniti, essas operações híbridas continuam efetivas mesmo com os danos sofridos pelo Irã em outros fronts. Por isso, é essencial que Roma compreenda a totalidade da ameaça e aprimore mecanismos de defesa, tanto técnicos quanto institucionais.

Sobre a proposta da premiê Giorgia Meloni de criar um fórum permanente de confronto entre governo, maioria e oposição, Minniti defendeu que a iniciativa não seja reduzida a um gesto simbólico. "Ter um espaço de diálogo permanente é necessário", disse, lembrando que existe uma alternativa institucional já previsa: o Copasir, o comitê parlamentar de controle sobre os serviços de inteligência.

O ex-ministro destacou que o Copasir é uma ferramenta valiosa porque, em muitos casos, sua presidência cabe a um representante da oposição — um mecanismo raro no cenário internacional — e o comitê pode tratar informações sensíveis e classificadas. Assim, o órgão pode servir como uma ponte institucional entre o Parlamento e os serviços, fortalecendo a resposta nacional.

Como repórter atento à construção de direitos e à arquitetura das decisões públicas, alerto que estamos diante de um momento em que a defesa do espaço público requer tanto a proteção física quanto a resistência às narrativas hostis. Derrubar as barreiras burocráticas e alinhar os alicerces da defesa do país é tarefa que passa pela política, pelas agências de segurança e pela sociedade.

Em suma: Minniti pede que a Itália não subestime a combinação entre atores tradicionais e novas formas de ameaça — e que use todas as estruturas institucionais, como o Copasir, para blindar o país.